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Choque cultural reverso! Filhos mais britânicos do que brasileiros?

Última atualização do post:

Quando seus filhos se tornam mais britânicos do que brasileiros: o choque cultural reverso das mães expatriadas
Quando seus filhos se tornam mais britânicos do que brasileiros: o choque cultural reverso das mães expatriadas. Imagem: Canva

Essa mês entendi a famosa frase: “choque cultural reverso”! No momento em que meus filhos estavam assistindo à final da Eurocopa e torcendo com entusiasmo pela seleção inglesa, ao mesmo tempo reclamavam do “calor insuportável” de 25 graus. Nessa hora eu dei um sorriso, mas por dentro algo apertou, um sentimento inesperado — o da perda cultural.

Vamos completar 11 anos que estamos morando fora do Brasil e foi uma escolha nossa. Portanto, ao longo desse tempo assisti, com orgulho, à fluência deles em inglês, à desenvoltura nas escolas internacionais e ao senso de pertencimento ao país onde cresceram. Mas, junto ao orgulho, surgiu uma tristeza discreta — e cada vez mais presente: percebo que o português enfraquece e que as referências culturais da minha infância são para eles, quase inexistentes, consequentemente.

O que é o choque cultural reverso?

Primeiramente, os meus filhos nunca ouviram cantores que eu amo, além de não saberem quem é a Mônica dos gibis. Além disso, nunca participaram de um Carnaval de verdade. Recentemente, um deles me perguntou quem era Ayrton Senna — e meu coração quase parou. Para mim, ele foi um herói nacional, um símbolo de resistência e orgulho, porém, para eles, é um nome que não diz nada.

Certamente esse sentimento tem nome: choque cultural reverso. Mas aqui, o protagonista não sou eu — são os meus filhos. Acima de tudo, não é a minha adaptação ao país novo que me desafia, e sim perceber que eles já pertencem a ele de forma tão profunda que, aos poucos, vão deixando para trás pedaços da minha própria história.

O sentimento de perda cultural

O “luto cultural” se manifesta de formas sutis. Quando escuto meus filhos conversando entre si em inglês — mesmo quando estou presente, igualmente quando contam piadas britânicas que não entendo, ou quando riem de coisas que não fazem sentido para mim.

Ainda também quando olham estranhando algumas comidas que gosto e recusam o “cheiro forte” do coentro. São pequenas situações do dia a dia que me lembram que, apesar de serem meus filhos, eles estão sendo moldados para um mundo e por uma cultura que não é minha.

Com isso, surge então a culpa. Será que não fiz o suficiente para manter vivas as raízes brasileiras? Ou talvez tenha sido negligente com o idioma, com a história, com a música, com os sabores? Será que meus filhos crescerão sem saber dançar forró ou sem entender por que cantamos “adeus ano velho”?

Como manter o vínculo com o Brasil — sem forçar?
Como manter o vínculo com o Brasil sem forçar? – Imagem: Canva

Como manter o vínculo com o Brasil — sem forçar?

Com o tempo, aprendi que é possível cultivar o pertencimento cultural dos filhos sem rigidez e sem culpa. A chave está na conexão afetiva. Aqui vão algumas estratégias que aplico na minha casa — e que, sem dúvida, têm funcionado:

  • Português como língua do afeto
    Em casa, o português é a língua do carinho. Das histórias antes de dormir, das músicas que tocam no carro, das brincadeiras bobas do dia a dia. Desde pequenos, sempre cantei músicas brasileiras para eles — de Palavra Cantada a Tim Maia. Hoje, temos o hábito de ouvir pagode indo aos jogos de futebol. As meninas amam o Zeca Pagodinho. Isso cria uma memória afetiva com a língua.
  • Histórias com emoção
    Contar histórias da minha infância no Brasil virou ritual. Falo das minhas férias em Rio das Ostras, dos verões em que andava de bicicleta até anoitecer, da primeira vez que viajei de avião para o Nordeste. Mostro fotos antigas, vídeos da família e dos momentos que marcaram minha trajetória. Com o tempo, meus filhos começaram a repetir algumas dessas histórias para os amigos — como se fossem deles também.
  • Livros, desenhos e autores brasileiros
    Além disso, incluí na rotina dos meus filhos livros infantis brasileiros, como “O Menino Maluquinho” e “Marcelo, Marmelo, Martelo”. Outra coisa importante: procuramos filmes e animações com sotaque brasileiro — o que ajuda não só com o idioma, mas também com o humor e o olhar cultural.

Resgate da cultura através da culinária – evitando o choque cultural reverso

  • Celebrações e tradições brasileiras
    Mesmo morando fora, faço questão de manter alguns rituais, como o almoço de domingo com arroz, feijão e vinagrete. O Natal, com família no Brasil (sempre!), e ainda, aniversário com parabéns em português e lembrancinhas com beijinho de coco. E mais, organizamos pequenas Festas Juninas em casa — com bandeirinhas, milho e até pescaria improvisada. É pouco, mas é cheio de significado.
  • Comida como ponte cultural
    Não subestime o poder de um brigadeiro ! Consequentemente, aqui em casa é a maior atração quando os amigos britânicos vêm nos visitar. Eles se impressionam com a picanha no churrasco, com a textura da farofa e com o sabor do pão de queijo. Outro bom exemplo : fazer uma feijoada virou forma de contar nossa história em forma de sabores e o orgulho das crianças.

Vínculos afetivos fortes

  • Conexões com o Brasil real
    Faço questão de viajar com eles ao Brasil pelo menos uma vez por ano. Manter vínculos com primos, avós e amigos da infância é essencial. Além disso, a convivência com a família é insubstituível. Nessas viagens, fazemos coisas simples: comer pastel na feira, ir na praia, beber muito Guaraná e visitar a casa onde morei na Tijuca. É nesses momentos que vejo os olhos deles brilharem de forma diferente — como se algo novo e antigo se conectasse ali.
Reflexão sobre pertencimento
Reflexão sobre pertencimento – Imagem: Canva

Reflexão sobre pertencimento

A verdade é que nossos filhos vivem numa zona de interseção cultural. Entretanto, eles não são menos brasileiros por se sentirem britânicos. Eles são ambos. E esse “híbrido” pode ser uma potência.

Talvez a nossa missão, como mães expatriadas, seja justamente essa: permitir que nossos filhos tenham raízes fortes — e asas abertas. Raízes que os conectem com nossas histórias, nossas referências, nossas memórias. E asas que os levem a se sentirem pertencentes onde quer que estejam.

Portanto, mais do que um lugar, o que importa são as memórias que construímos, os laços que cultivamos e os valores que deixamos. Meu objetivo não é que meus filhos escolham entre ser brasileiros ou britânicos — mas que saibam que podem ser os dois. Que há espaço para múltiplas identidades, e que o pertencimento não precisa ser dividido — ele pode ser ampliado.

Sendo assim, e você, como vive esse desafio do choque cultural reverso? Vamos continuar essa conversa?

Para mais artigos da autora: entre aqui!

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Isabella Martins

Ola! Meu nome é Isabella Martins e trabalho como Orientadora parental e como professora de educação infantil em Londres. Tenho três filhos adolescentes e moro fora do Brasil há dez anos. Já morei em Londres, Arábia Saudita, Singapura e agora retornei para Londres. Tenho a oportunidade de conhecer diversas culturas e o impacto delas na educação dos meus filhos e alunos. Sou apaixonada por educação e adoro explicar as etapas do desenvolvimento infantil. Faço atendimentos online em Português e Inglês. Acredito que criar relações de afeto melhoram as dinâmicas familiares e permite que tenhamos um lar onde a base seja o amor entre pais e filhos. Siga meu Instagram para mais informações: @isabellagmartins03 Vamos juntas?

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