Os direitos trabalhistas em Portugal têm, sem dúvida, avançado através de mecanismos legais para combater discriminação e assédio. Portanto, isso garante que cidadãos e residentes tenham seus direitos respeitados. Esses temas são especialmente relevantes para as expatriadas, pois algumas podem enfrentar desafios ao se adaptar a um novo país e a uma nova cultura de trabalho.
Abaixo, exploramos as principais leis e ferramentas disponíveis para proteger mulheres contra práticas abusivas no ambiente profissional.
Lei n.º 93/2017: direitos trabalhistas em Portugal contra discriminação
A Lei n.º 93/2017 estabelece medidas para prevenir e punir discriminação racial, étnica e de nacionalidade em Portugal. Essa legislação protege, portanto, qualquer pessoa que seja vítima de tratamento desigual em diversas áreas, incluindo acesso ao emprego, educação, serviços públicos e habitação.
Primeiramente, de acordo com essa lei, práticas discriminatórias podem ser diretas ou indiretas, sendo que qualquer distinção baseada na raça, origem ou nacionalidade que limite direitos ou oportunidades pode ser sancionada. As penalidades incluem multas e medidas corretivas, além da possibilidade de denúncia às autoridades competentes.
No ambiente profissional, isso significa que empregadores não podem recusar contratar alguém com base na sua nacionalidade ou origem. Além disso, políticas internas que limitem oportunidades de progressão para determinados grupos podem ser consideradas ilegais.
Código do Trabalho e normas sobre assédio – direitos trabalhistas em Portugal no ambiente laboral
O Código do Trabalho português tem disposições específicas para proteger trabalhadores contra assédio moral e sexual. Segundo o artigo 29 do Código do Trabalho, o assédio é qualquer comportamento indesejado que afete a dignidade de uma pessoa, criando um ambiente hostil, intimidador ou ofensivo.
Existem dois principais tipos de assédio reconhecidos:
- Assédio moral: pode incluir humilhação sistemática, isolamento, críticas constantes sem fundamento e sobrecarga de trabalho injustificada.
- Assédio sexual: envolve avanços sexuais não desejados, comentários inadequados, ou exigências de favores sexuais em troca de benefícios profissionais.
O empregador tem, assim, a obrigação legal de prevenir o assédio e pode ser responsabilizado caso a empresa permita ou ignore situações dessa natureza. Além disso, as vítimas têm direito à rescisão do contrato com justa causa caso o ambiente se torne insustentável.

Diferença entre assédio moral e sexual no contexto legal português
Embora ambos sejam formas de violência no ambiente de trabalho, o Código do Trabalho estabelece que:
- O assédio moral ocorre quando há pressão psicológica repetida e intencional para desestabilizar a vítima. Isso pode afetar o desempenho no trabalho, pois pode levar ao esgotamento ou à saída forçada.
- O assédio sexual, por outro lado, envolve comportamentos de natureza sexual, criando um ambiente degradante ou intimidante. Pode ocorrer por meio de palavras, gestos ou atitudes físicas.
Ambos são proibidos por lei e podem resultar em sanções administrativas ou processos judiciais contra os responsáveis.
Procedimentos legais para denunciar assédio no trabalho
Se uma trabalhadora expatriada estiver enfrentando assédio moral ou sexual, existem procedimentos legais para garantir proteção e buscar justiça:
- Registrar evidências – É fundamental, antes de mais nada, documentar episódios de assédio, incluindo e-mails, mensagens, relatos de testemunhas e gravações (quando permitido por lei).
- Comunicar ao empregador – O trabalhador pode fazer uma queixa formal ao setor de Recursos Humanos ou à direção da empresa. Se houver omissão, há outras formas de denúncia.
- Reportar à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) – A ACT tem competência para investigar denúncias e aplicar sanções contra empresas que violem a legislação trabalhista.
- Buscar apoio jurídico – Um advogado pode ajudar a formalizar uma queixa judicial, bem como orientar sobre processos de compensação.
O assédio pode levar a processos civis e trabalhistas contra o agressor e contra a empresa, caso esta não tenha tomado as medidas necessárias para prevenir ou corrigir o problema.
Organizações que oferecem suporte jurídico e psicológico
Portugal conta com diversas entidades que prestam assistência a vítimas de discriminação e assédio, por exemplo:
- Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) – Oferece suporte para casos de discriminação e desigualdade de gênero no trabalho.
- APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) – Fornece apoio psicológico e jurídico para vítimas de violência, incluindo assédio.
- Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) – Pode intervir em situações abusivas no ambiente profissional e aplicar penalidades contra empregadores infratores.
Muitas dessas instituições oferecem assistência gratuita ou de baixo custo. Desse modo, isso garante que vítimas tenham acesso a recursos legais e psicológicos para enfrentar esses desafios.
Como obter assistência legal gratuita em casos de discriminação
Se uma expatriada precisar de suporte jurídico, ela pode recorrer a serviços públicos gratuitos, como:
- Serviço de Acesso ao Direito – Disponibilizado pela Ordem dos Advogados, através da Segurança Social, permite acesso a advogados para casos de discriminação ou assédio.
- Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) – Oferecem assistência para questões ligadas à imigração e direitos trabalhistas.
Papel da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE)
A CITE desempenha um papel crucial na defesa dos direitos das mulheres no ambiente de trabalho. Suas principais funções incluem:
- Fiscalizar e promover igualdade de gênero nas relações profissionais.
- Analisar denúncias de discriminação e assédio moral ou sexual.
- Sensibilizar empresas e instituições públicas para adotar políticas de proteção.
Mulheres expatriadas que enfrentem discriminação ou assédio podem buscar orientação junto à CITE para garantir que seus direitos sejam respeitados.
Busque seus direitos trabalhistas em Portugal

Os direitos trabalhistas em Portugal têm leis robustas contra discriminação e assédio. Contudo, a conscientização e aplicação dessas normas ainda são desafios constantes. Por isso, para as expatriadas, entender essas proteções é essencial para garantir segurança e bem-estar no país.
Dessa forma, se você ou alguém próximo enfrentar dificuldades, não hesite em procurar ajuda das entidades mencionadas e buscar apoio legal.
About The Author
Larissa Sefeltas
Advogada atuando em Portugal e no Brasil. Especialista em Direito Digital, Privacidade e Direito Internacional, com foco em direito de família, empresarial e migratório. Empresária na área de soluções digitais e internacionalização de negócios. Brasileira expatriada que reside na região de Coimbra com sua família também internacional. Aventureira, anti-rotina, decidida e apreciadora de vinho – dentre tantas outras facetas.