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Estratégias de parentalidade para os pais de culturas diferentes

Última atualização do post:

Estratégias de Parentalidade para Pais de Culturas Diferentes
Estratégias de Parentalidade para Pais de Culturas Diferentes. Imagem: Canva

No meu trabalho como orientadora parental, é cada vez mais comum atender casais em que um dos pais é brasileiro e o outro vem de um contexto cultural distinto – europeu, asiático ou até mesmo de outro país da América Latina. Normalmente, a mãe é brasileira e o pai tem outra nacionalidade, e esses encontros culturais trazem tantos desafios quanto benefícios para a educação dos filhos. Sendo assim, como criar estratégias de parentalidade para pais de culturas diferentes?

O grande ponto é: como transformar essas diferenças em força ao invés de conflito?

Principais desafios que aparecem

Primeiramente, pesquisas em psicologia intercultural, como as de John Berry (1997), mostram que quando diferentes visões de mundo se encontram dentro de uma mesma família, surgem conflitos. Alguns exemplos que vejo com frequência:

  • Disciplina: enquanto muitas mães brasileiras têm um estilo mais caloroso e permissivo, alguns pais estrangeiros preferem uma abordagem mais rígida e estruturada. Exemplo: a mãe deixa a criança comer na sala enquanto brinca, mas o pai exige que a refeição seja sempre à mesa. Portanto, para a criança, essa falta de alinhamento gera confusão e até disputas de poder.
  • Língua e comunicação: é comum a mãe falar português e o pai insistir no idioma local. Resultado? A criança mistura as línguas, às vezes demora mais a falar e os pais ficam preocupados. Já acompanhei famílias em que o pequeno rejeitava o português, enquanto no inglês recebia mais incentivo e se sentia mais adaptado por ser a língua da escola.
  • Expectativas de autonomia: em muitas culturas europeias, espera-se que a criança durma sozinha no próprio quarto desde cedo. Já mães brasileiras costumam prolongar o contato físico, muitas vezes compartilhando a cama nos primeiros anos. Consequentemente, essa diferença pode virar uma fonte constante de discussão.
  • Visão da infância: enquanto em alguns países a criança é vista como um “pequeno adulto”, já responsável por pequenas tarefas, no Brasil tende-se a prolongar a fase de proteção. Por exemplo, pais britânicos podem incentivar que a criança de 6 anos prepare o próprio lanche, enquanto os brasileiros ainda preferem fazer por ela.

Se esses pontos não são conversados, o risco é a criança crescer no meio de disputas, aprendendo a “usar” as diferenças a seu favor – algo que se intensifica na adolescência. Por isso, é importante criar estratégias de parentalidade para pais de culturas diferentes.

Os benefícios de crescer entre culturas diferentes.
Os benefícios de crescer entre culturas. Imagem: Canva

Os benefícios de crescer entre culturas: estratégias de parentalidade

Apesar dos desafios, pesquisas também mostram ganhos incríveis para as crianças que vivem nesse ambiente multicultural, tais como:

  • Flexibilidade cognitiva: estudos de Ellen Bialystok (2001) mostram que o bilinguismo fortalece a atenção e a capacidade de resolver problemas. Já atendi irmãos que falavam três línguas em casa e tinham uma facilidade enorme em se adaptar a novas situações.
  • Empatia e tolerância: ao conviver com culturas diferentes, a criança aprende, desde cedo, a se colocar no lugar do outro. Por exemplo, entende que nem todos comemoram o Natal da mesma forma ou que existem diferentes maneiras de celebrar aniversários.
  • Identidade ampliada: essas crianças se sentem à vontade em diferentes grupos sociais e culturais. Muitas vezes, são as primeiras a acolher um colega novo na escola, pois já sabem o que é se sentir “entre mundos”.
  • Riqueza afetiva: do lado brasileiro, carregam o calor do vínculo e da proximidade. Do lado estrangeiro, aprendem autonomia e disciplina. Portanto, quando equilibrados, esses valores se completam e formam uma base emocional sólida.
Estratégias práticas para apoiar os pais.
Estratégias práticas para apoiar os pais. Imagem: Canva

Estratégias práticas de parentalidade em diferentes culturas

O papel do orientador parental é ajudar o casal a construir uma linguagem comum de parentalidade, mesmo com valores distintos. Sendo assim, algumas estratégias que aplico são:

  1. Conversa aberta sobre expectativas: incentive cada um a colocar na mesa o que considera essencial na educação dos filhos. Exemplo: “Para mim, é importante que ela mantenha o português”; “Para mim, é essencial que ele aprenda a ser independente cedo”.
  2. Definir pontos inegociáveis: cada cultura tem valores que não podem ser deixados de lado. Nomear esses pontos ajuda a evitar ressentimentos. Exemplo: manter o português como língua de afeto ou respeitar a tradição de dormir sozinho.
  3. Criar rituais culturais: valorizar tradições brasileiras (como festas juninas ou contação de histórias em português) e, ao mesmo tempo, celebrar tradições do outro país (como o Ano Novo Chinês ou a Páscoa com caça aos ovos). Consequentemente, isso mostra para a criança que ela não precisa escolher entre “ser de um lugar ou de outro” – ela pode ser dos dois.
  4. Valorização do bilinguismo: incentivar o uso natural das duas línguas, sem pressão. Exemplo: quando viajam ao Brasil, usar o português; quando estão no país onde vivem, reforçar a língua local.
  5. Flexibilidade e criatividade: lembrar que não existe “um único jeito certo” de educar, pois o que funciona para uma família, pode não funcionar para outra. O importante é encontrar o “jeito próprio” daquela família.
  6. Dar o exemplo de respeito: quando os pais demonstram respeito pelas diferenças um do outro, a criança aprende na prática a lidar com a diversidade.

Conclusão

Dessa forma, criar filhos em um lar multicultural é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade. Sem diálogo, as diferenças se transformam em conflito; mas com abertura e respeito, a criança cresce cercada de referências ricas, seguras e amorosas.

Mais do que escolher entre “o jeito brasileiro” ou “o jeito estrangeiro”, trata-se de construir o jeito da sua família – único, autêntico e cheio de pertencimento.

 E você? Como funciona na sua casa? Compartilha comigo nos comentários, vou adorar saber! Mais artigos da autora, clique aqui!

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Isabella Martins

Ola! Meu nome é Isabella Martins e trabalho como Orientadora parental e como professora de educação infantil em Londres. Tenho três filhos adolescentes e moro fora do Brasil há dez anos. Já morei em Londres, Arábia Saudita, Singapura e agora retornei para Londres. Tenho a oportunidade de conhecer diversas culturas e o impacto delas na educação dos meus filhos e alunos. Sou apaixonada por educação e adoro explicar as etapas do desenvolvimento infantil. Faço atendimentos online em Português e Inglês. Acredito que criar relações de afeto melhoram as dinâmicas familiares e permite que tenhamos um lar onde a base seja o amor entre pais e filhos. Siga meu Instagram para mais informações: @isabellagmartins03 Vamos juntas?

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