Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Expectativa x realidade ao imigrar

Última atualização do post:

Cada expatriada com sua expectativa ao mudar da país.
Carla, Italia; Gabi, Holanda; Vitoria, Portugal - Imagem: Arquivo Pessoal

Relatos honestos de mulheres brasileiras vivendo fora do Brasil

Janeiro costuma vir carregado de expectativas, planos e recomeços. Contudo, poucas experiências confrontam tanto o que imaginamos com o que realmente vivemos quanto a experiência de imigrar. Primeiramente, antes de mudar de país, quase todas nós criamos imagens do que está por vir: uma vida mais leve, mais segura, mais interessante ou, no mínimo, diferente.

Entretanto, o que nem sempre imaginamos é o quanto essa mudança muda quem somos: nossa identidade, nossas relações, nossa carreira e a forma como entendemos o mundo.

Nesta coletânea, mulheres brasileiras que vivem em diferentes países respondem à mesma pergunta:

Qual era sua expectativa ao imigrar e como tem sido a realidade?

As respostas não seguem um único caminho. Algumas falam de encantamento, outras de frustração, e muitas de reinvenção. Além disso, há histórias de solidão, pertencimento, choque cultural, amadurecimento e construção de novos lares. Dessa forma, juntas, essas vozes formam um retrato real, longe da idealização e mais perto da vida como ela é.

Quando a expectativa ao imigrar encontra o choque da realidade

Carla Bottino — Itália

Mudou-se em 2017 – @familias.mundoafora

Sem querer generalizar, acho que muitas de nós criamos uma expectativa bem diferente da realidade.
Vivo na Itália, um país lindo, com comida deliciosa. Mas morar aqui é bem diferente de passear.

A burocracia parece não ter fim, o idioma no qual eu me sentia fluente ainda me confunde e, apesar de ser descendente de quatro avós italianos, percebi que cheguei conhecendo bem pouco da cultura local.

No início, me senti muito sozinha. Minha personalidade e identidade do Brasil estavam mudando, e eu não tinha rede de apoio. Foram dias difíceis. Comecei a “turistar” na minha nova cidade, tentando entender comportamentos. Sempre movida pela curiosidade, nunca pelo julgamento.

Com o tempo, encontrei apoio em grupos virtuais, no voluntariado e em conexões com outras mulheres brasileiras. Aos poucos, passei a ter compromissos, a me sentir útil e, principalmente, pertencer a esse novo lugar.

Vitória Helena — Portugal

Mora em Caldas da Rainha há 4 anos – @comunicabyvih

Cheguei a Portugal sem idealizar uma “vida perfeita”. Sabia das dificuldades e da burocracia, mas a prática mostrou que, mesmo com expectativas baixas, ainda é possível se surpreender negativamente.

Entender leis, política e sistema de saúde foi um desafio constante. Como aprender em poucos meses algo que levamos a vida inteira para assimilar no país onde nascemos?

No campo profissional, precisei me reinventar. Sou pedagoga, mas encontrei no marketing de marcas pessoais um novo caminho. O grande choque veio quando tentei aplicar em Portugal o “marketing brasileiro”. Só consegui crescer quando entendi profundamente a cultura local e adaptei minha estratégia.

Hoje, a vida é mais leve e organizada. Sei que sempre serei imigrante, mas também sei que o Brasil não é mais meu único lar. Talvez o segredo não seja encontrar um único lugar no mundo — mas aprender a fazer morada em vários.

Gabi Lodewijks — Holanda

Mora no país desde 2010

Minha expectativa ao imigrar era simples: esperança, vontade de trabalhar e a certeza de que tudo seria fácil. Eu era profissional de RH, falava três idiomas e achava que o mercado de trabalho iria brigar por mim.

O começo foi difícil. Vontade de ir embora, rejeições, choro. Até entender que eu não era a profissional que o mercado buscava e decidir fazer uma transição de carreira.

Hoje, falo o idioma fluentemente, me sinto parte da comunidade e trabalho como mentora de carreira e terapeuta. Olhando para trás, quase não reconheço aquela versão inicial. Posso dizer com certeza: sou muito feliz aqui.

Imigrantes de diferentes países e seus relatos de expectativas ao imigrar.
Talita, Alemanha; Denise, Bélgica; Alessandra, Singapura – Imagem: Arquivo Pessoal

Reinvenção: quando nada sai como planejado

Talita Estrela — Alemanha

Mora no país há 8 anos – @alemanha_allesgut

Minha expectativa tinha mais a ver com o passado do que com o futuro. Eu precisava sair para me conhecer, viver algo além da previsibilidade.

A experiência tem sido surpreendente até hoje. Pessoas e culturas são muito diferentes. Conquistar espaço é desafiador, mas também provocante. Exige criatividade.

Sou muito feliz por ter saído um dia.

O olhar psicológico sobre expectativa x realidade ao imigrar

Perguntamos a uma das psicólogas colaboradoras do blog qual seria a visão na psicologia para essa expectativa ao imigrar.

Beatriz Setto Godoy nos explica que “Imigrar é um processo que envolve expectativas que nem sempre se confirmam. Do ponto de vista psicológico, essa transição costuma provocar uma verdadeira montanha-russa emocional.”

Além disso, ela ainda nos conta que “antes da mudança, é comum idealizar a nova vida: melhores oportunidades profissionais, mais qualidade de vida, integração cultural facilitada. Essas imagens são muitas vezes alimentadas por narrativas positivas, mas nem sempre incluem os desafios reais do dia a dia.”

Beatriz pontua que “a realidade pode envolver dificuldades na validação profissional, solidão, isolamento social e choque cultural. Portanto, quando a realidade não corresponde às expectativas, sentimentos como frustração, tristeza e ansiedade, podem surgir — e, em alguns casos, pode afetar significativamente a saúde mental.”

Do ponto de vista da psicologia, ela nos dá um ótimo conselho, dizendo que “reconhecer que expectativas são construções mentais e aceitar que a adaptação é um processo contínuo, ajuda a atravessar essa fase com mais consciência. Buscar apoio psicológico pode ser fundamental, pois podemos elaborar emoções complexas e construir uma vida menos idealizada, porém mais possível, real e significativa.”

Cada mulher têm expectativas diferentes ao imigrar.
Renata, Croácia; Beatriz, psicóloga convidada – Imagem: Arquivo Pessoal

Pertencimento se constrói ao imigrar (não se encontra pronto)

Alessandra Oliveira — Singapura

Mora no país há 1 ano e meio

Minha expectativa era me sentir isolada da cultura ocidental por estar em um país asiático. A realidade foi completamente diferente.

Singapura é multicultural. Ouço vários idiomas, inclusive português, e vejo o Oriente e o Ocidente misturados no cotidiano. Minha família foi muito bem acolhida desde a chegada, o que trouxe alívio e pertencimento desde o início da nossa jornada.

Denise Pavan Limpias — Bélgica

Mora no país desde dezembro de 2021

Minha expectativa era grande e cheia de coragem. Eu já havia morado no Catar e em Dubai, logo, achei que estava preparada. Mesmo assim, enfrentei desafios comuns a muitas brasileiras: não falar a língua local, não conhecer a cultura e lidar com processos burocráticos complexos.

Com o tempo, fomos nos estruturando. Moramos em um apartamento alugado por três anos e hoje vivemos em nosso próprio apartamento. Nossa família cresceu, nossas filhas falam francês fluentemente e seguimos construindo uma rotina possível.

Apesar de desafios relacionados à segurança urbana, ainda me sinto mais segura aqui do que no Brasil. Se pudesse deixar um conselho, seria: aprender a língua local, buscar fontes confiáveis sobre leis e estar atenta. A violência contra mulheres e meninas é uma realidade que não pode ser ignorada.

Gabriela Iuspa — Colômbia

Mora no país há 5 anos e 4 meses – @gabiiuspanutri

Imigrar foi um dos melhores acontecimentos da minha vida. No começo, tudo era confuso e distante.

Com o tempo, nos fortalecemos como família, aprendemos que mudanças nem sempre são negativas e que a multiculturalidade, mesmo com desafios, nos faz crescer internamente. Dessa forma, estar aberta ao mundo transforma.

O tempo como aliado na realidade

Kelse Abreu — Inglaterra

Mora no país há mais de 20 anos

Minha expectativa era aprender inglês e conhecer novas culturas. Eu não imaginava a dimensão que essa decisão teria.

Ao longo dos anos, enfrentei desafios, saudades e reinvenções. Hoje, a realidade se mostra muito mais rica, significativa e gratificante do que qualquer expectativa inicial.

Carolina Pardo — Espanha

Mora em Barcelona desde 2006 – @guiabarcelonapravoce

Minha expectativa ao imigrar era ficar apenas um ano e voltar para o Brasil. Mas me apaixonei pela cidade — e fui ficando.

Em maio completo 20 anos aqui. Às vezes, o que começa como plano provisório vira casa.

Renata Castro — Croácia

Mora no país há 6 anos

Vim sem grandes expectativas. Os primeiros meses foram maravilhosos. Com o tempo, percebi nuances culturais que não enxergava no início.

Ainda assim, gosto muito de viver aqui. Essa continua sendo a minha escolha — hoje mais consciente, madura e real.

É necessário entender a cultura do país que mora para se adaptar aos costumes locais da melhor forma.
Gabi, Colombia; Kelse, Inglaterra; Carolina, Espanha – Imagem: Arquivo Pessoal

Você pensa em mudar de país? Qual seria sua expectativa ao imigrar?

Imigrar raramente corresponde às expectativas iniciais e talvez esse seja o ponto. Entre o que imaginamos e o que vivemos, existe um espaço de aprendizado, perda, reconstrução e crescimento.

Essas histórias mostram que não existe uma única forma de imigrar, nem um único jeito de pertencer.
Às vezes, o lar não é um lugar fixo, ou seja, é algo que se constrói aos poucos, dentro e fora de nós.

Se você é expatriada e se reconheceu em alguma dessas histórias, saiba: você não está sozinha

O Diário de uma Expatriada existe para registrar, acolher e dar voz às vivências reais de mulheres que vivem fora do seu país de origem.

Sendo assim, se sentir vontade, compartilhe este texto com alguém que também esteja vivendo esse processo
ou deixe seu comentário. Sua história também merece espaço!

About The Author

Gostou deste artigo?

Compartilhe no Facebook
Compartilhe no X
Compartilhe por E-mail
Compartilhe no Pinterest
Compartilhe no Linkedin
Compartilhe no Telegram
Compartilhe no WhatsApp

entre nos nossos grupos no facebook e instagram

Dicas e conteúdos exclusivos direto ao ponto para te ajudar a planejar sua viagem ou mudança para outro país.

Picture of Erinice Eversvik

Erinice Eversvik

Sou paranaense. Moro em Bergen, na Noruega, há doze anos com meu marido e nossa filha. Sou formada em História com especialização na área de pedagogia e na Noruega precisei começar do zero. Me surpreendi com o resultado. Hoje trabalho em uma escola municipal e no meu tempo livre, crio roteiros personalizados de viagem para Noruega.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

VOCÊ TAMBÉM VAI GOSTAR DE LER

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Clique aqui para saber mais.