O que fazer em Hong Kong com duas crianças pequenas? Em outubro de 2025 fizemos nossa primeira viagem de avião, após estar em Singapura a um ano. Como tenho dois filhos que não estão acostumados a “voar”, optamos por um país mais próximo. Dentre algumas opções, decidimos por Hong Kong, que fica a menos de 4 horas do país e que possui muitas atrações para os pequenos. Nossa viagem durou cinco dias, e neste artigo conto um pouco do que fizemos por lá.
Hong Kong é uma Região Administrativa Especial (RAE) da China, ou seja, a China possui soberania, mas Hong Kong possui um alto grau de autonomia nos âmbitos legal, político e econômico. Hong Kong foi por mais de 150 anos colônia britânica, fazendo parte da China há menos de 30 anos. Portanto, os idiomas principais do país são o inglês e o cantonês, que é um dos inúmeros dialetos da China.
1º dia em Hong Kong com crianças
Ficamos hospedados na região de Sha Tin, um pouco distante da área turística de Hong Kong, mas que possuía um hotel ao lado de um shopping com muitos parques infantis gratuitos. Fizemos todos os nossos passeios utilizando transporte público, o que foi um pouco cansativo para as crianças no final da viagem.
No primeiro dia que decidimos conhecer a parte turística do país, estava chovendo bastante pela manhã. A temperatura estava em torno de 30º a 31º, bem similar a de Singapura. Quando a chuva parou, decidimos visitar alguns museus na área central que fossem atrativos para os pequenos.
O primeiro museu que visitamos foi o de Arte. Há aproximadamente 4 andares, sendo os primeiros mais atrativos para crianças, pois há algumas atividades interativas de arte moderna. Quase em frente ao Museu de Arte, há o Museu da Ciência, que conta fatos interessantes sobre os planetas e o sistema solar, voltado especialmente para o público infantil. As crianças ficaram bastante tempo explorando as atividades que o local oferecia.
Todos já estavam cansados após as visitas aos museus e decidimos pegar uma barca que levava até o outro lado da cidade. O passeio durou cerca de 5 minutos somente. Logo em seguida, voltamos para o hotel e as crianças brincaram no parque do Snoopy, localizado no shopping ao lado do hotel que nos hospedamos.
2 º dia- Ocean Park
Grande parque com temática aquática na maior parte dele. Contudo, sua maior atração são os pandas, tanto o tradicional quanto o panda vermelho, que estavam dormindo na hora em que passamos por eles. A parte inferior é mais adequada a crianças pequenas, com carrosséis, uma pequena roda gigante, passeio de trenzinho e um restaurante principal do panda, sem contar os quiosques que vendem fast food.
Para a parte superior do parque, você pode ir tanto de teleférico ( um passeio de 10 minutos) como de transporte em forma de submarino, que leva a metade do tempo do teleférico. Portanto, se você não gosta de altura, principalmente à beira de um precipício, sugiro ir de transporte alternativo.
Além disso, a parte superior possui mais brinquedos radicais, como carrinho bate-bate e uma montanha russa bem emocionante também. Todavia, há uma montanha russa para os menores. O destaque da parte superior é o restaurante Tuxedo, que é bem gelado e que possui pinguins para você observar enquanto come. Ao final do passeio fomos a um grande aquário na parte final do parque, onde as crianças puderam ver vários tipos de peixes e ficaram bem próxima deles.
3º dia- Disneylândia em Hong Kong é pura diversão com crianças
Fomos de metrô e, para nossa surpresa, na última estação que leva ao parque, o metrô é temático. As janelas possuem a forma da cabeça do Mickey e há pequenos monumentos dos personagens dentro dos vagões também. Visitamos a Disneyland em um dia de semana e enfrentamos fila somente para entrar, que foi exatamente na hora da abertura do parque. Fora isso, achei muito tranquilo. Conseguimos visitar tudo em um dia, pois este parque é menor comparado às Disneys de outros países.

Uma das atrações do parque é a Tomorrowland, com tema futurista. Possui uma montanha russa de alta velocidade e uma parte dedicada a Marvel. A Adventureland, mais radical, possui temática de selva e sua atração principal é uma montanha russa com bastante emoção. No castelo das Princesas, você enfrenta uma fila para tirar foto com uma das princesas, que se revezam ao longo do dia.
O destaque do parque na minha opinião é o reino de Arendelle, do filme Frozen, que possui atrações como montanha russa, um carrinho que te leva a reviver a história dentro do seu castelo, e uma loja de doces temáticos, com o sorvete de casquinha do Olaf, que é boneco de neve da história.
Almoçamos em um restaurante com comidas que agradavam tanto aos orientais, quanto aos ocidentais. As comidas já estão praticamente prontas, assim que você paga, já retira seu prato, o que achei bem prático. Como estávamos no mês de outubro, ao final do dia houve um desfile temático de Halloween, com alguns vilões das histórias da Disney presentes.
4º dia- Teleférico e Grande Buda
No penúltimo dia fomos ao famoso teleférico que possui uma cabine cujo piso é de vidro. Não compramos o passeio para esta cabine, mas depois bateu um arrependimento, pois apesar de ser dia de semana, a fila para a cabine regular estava enorme e levou cerca de 1 hora até entramos nela.
A viagem de teleférico demora cerca de 15 minutos, e ficamos a cerca de 400 metros acima do nível do mar. Portanto, é uma viagem de uma longa subida, em que se pode ver o aeroporto e passar bem perto das montanhas. O passeio tem como destino uma pequena vila, que possui restaurantes e cafeterias diversificadas, assim que você sai do teleférico.
Andando mais um pouco passamos pelo caminho da sabedoria, onde há estátuas dos Doze Generais Celestiais, que são deuses guerreiros referentes à cultura chinesa. Cada general possui uma arma e está relacionado a um animal do zodíaco chinês.

Ao final do caminho da sabedoria, nos deparamos com um grande mosteiro onde vivem os monges locais e, logo em frente, o monumento do grande Buda, que para chegar ao topo dele é necessário subir uma escadaria de quase 300 degraus. O vilarejo também conta com trilhas que levam a uma vista de toda Hong Kong, vista de cima.
5º dia- Macau
No último dia visitamos Macau, que se localiza a somente uma hora de Hong Kong e que possui um ritmo mais lento em relação à agitada Hong Kong. Você pode ir tanto de barca ( atravessando a área do estuário do Rio das Pérolas, que faz parte do Mar da China Meridional), como de ônibus. Uma parte do trajeto da viagem de ônibus é feita por baixo d´água, por um túnel, o que torna a viagem também bastante divertida.
Como Hong Kong, Macau também é uma RAE da China e fez parte de Portugal por mais de 400 anos, sendo emancipada somente em 1999. Portanto, vemos muito da cultura portuguesa no local, o que é uma atração aos turistas. Os nomes das ruas e de muitos estabelecimentos públicos são em português. Além disso, podemos ver no chão as famosas pedras portuguesas em formatos sinuosos. Um detalhe importante: ao ir para Macau, é necessário levar passaporte, pois você está indo para uma outra região administrativa e precisar passar pela imigração.

Turismo em Macau
Na área turística principal, que é a rua do Senado, vemos uma mistura da cultura chinesa e portuguesa. Ao subir as ruas estreitas e cheias de turistas, nos deparamos com diversos estabelecimentos, oferecendo amostras de biscoitos chineses, à base de porco (não são muito gostosos). Todavia, na maioria das padarias vendem-se os famosos pastéis de Belém.
Apesar da influência portuguesa, há poucos restaurantes portugueses em Macau, e conseguimos almoçar em um deles: o restaurante Boa Mesa. No menu, podemos ver o bacalhau presente em muitos pratos. Destaque para o arroz de bacalhau frito no azeite. Além disso, há o tradicional bife à cavalo que vem em uma porção bastante generosa, em contraste com a pouca quantidade de comida dos restaurantes chineses no geral. Como entrada, oferecem como cortesia pães com manteiga e azeitonas.
Há muitas igrejas católicas perto da Rua do Senado e o ponto destaque são as Ruínas de São Paulo, que eram de uma igreja e um colégio, mas infelizmente foram destruídos em um incêndio, restando somente a parte frontal do local. Há uma escadaria que leva às ruínas e que é o foco dos turistas para uma boa foto.
Em uma outra parte da cidade, chamada de São Lázaro, vemos a chamada pequena Europa, onde observamos uma réplica da torre Eiffel e do Palácio de Westminster, além de construções em estilo europeu. Uma dica é pegar o ônibus que leva aos pontos turísticos da cidade, assim, podemos descansar um pouco, enquanto conhecemos Macau. No último dia, as crianças já estavam bastante cansadas e o passeio de ônibus foi um alívio para elas.
Gastronomia em Hong Kong com crianças
No geral, a gastronomia não difere muito da que encontramos em Singapura. Portanto, optamos por opções mais ocidentais, como Outback, que possui pratos infantis também, e a rede de comida natural Super Sandwiches, com comidas saudáveis como saladas e sanduíches naturais, além de massas. Tomávamos o café da manhã no hotel, onde observávamos bastante da cultura oriental presente na gastronomia, como arroz frito, porridge (um mingau à base de arroz ou aveia) , buns (pães tradicionais chineses com recheio de porco) e sopa de macarrão.
Dicas importantes
Locomoção
Como já mencionei, fizemos quase todos os passeios utilizando o transporte público. Em qualquer estação ou nas lojas 7-Eleven adquira o cartão Octopus, que você abastece com dinheiro e o utiliza em qualquer transporte público e pode pagar a conta de muitos restaurantes com ele também. Em muitos estabelecimentos, não conseguimos utilizar o cartão internacional e o Octopus nos salvava.
Aplicativos
Por estar em uma região da China, se você não tem um VPN no celular, não consegue acessar o Google e nenhum aplicativo relacionado a ele, como o Google Maps. Portanto, sugiro baixar o Citymapper, que fornece os horários dos transportes públicos e a rota para diversos destinos.
Por fim, gostamos bastante de nossa viagem a Hong Kong com as crianças e sugiro que você inclua o país em seu roteiro de passeios pela Ásia. Apesar de fazer parte da China, a maioria fala bem o inglês, o que facilita bastante a comunicação.
About The Author
Alessandra Oliveira Ferrari
Casada e mãe de 2 filhos. Atualmente morando em Singapura. Já dei aulas de inglês por mais de 10 anos, o que me ajudou na adaptação no país. Formada em Odontologia, atuava na profissão antes de me mudar para Singapura.