No setor turístico, uma das coisas mais interessantes em Malta é apreciar seus patrimônios, ou seja, as artes e monumentos locais. Certamente, isso contribui muito para nosso intelecto e também fascina nossa imaginação e crenças.
Em Malta, existe um monumento em específico que vale a pena detalharmos sua história, trata-se da Igreja de Santa Ubaldesca, arquitetura barroca do século XVII que foi construída durante a Ordem de São João durante seu periodo na Ilha Maltesa.
Acima de tudo, este edifício é um marco histórico, sendo a igreja mais antiga estabelecida na localidade de Paola e listada no Inventário Nacional de Patrimônio Cultural das Ilhas Maltesas.
Igreja dedicada a uma Santa
Santa Ubaldesca Taccini nasceu em Calcinaia em 1136 e faleceu em Pisa, em 28 de maio de 1205. Ela foi uma virgem e freira da Ordem de São João e dedicou 55 anos de sua vida ao serviço.
E mesmo apesar de sua origem humilde, escolheu cuidar dos mais necessitados, incluindo aqueles abaixo de sua posição social.
Além disso, dedicava-se à oração pela ordem e seus membros. Seu nome também foi mencionado durante a pandemia. Nos dias atuais, você pode encontrar algumas de suas relíquias na igreja dedicada a ela.
Como surgiu a construção desse patrimônio artístico?
Os Cavaleiros da Ordem de Sāo Joāo, cujo Grão-Mestre Antoine de Paule, conhecido por sua coragem e justiça, financiou a construção da igreja e a dedicou a Santa Ubaldesca Taccini.
Então, em 31 de julho de 1629, o Papa Urbano VIII emitiu uma bula papal concedendo permissão para a Ordem erguer uma igreja em seu nome.
Desse modo, a pedra fundamental foi lançada em 25 de agosto de 1630, e a construção original tinha apenas 9 metros de altura por 9 metros de comprimento.
Entretanto, durante o período dos Cavaleiros, a localidade de Paola permaneceu pouco desenvolvida, e no século XIX, a população da área era inferior a 500 habitantes, incluindo prisioneiros e funcionários da prisão civil recém-construída.
Século XX e algumas melhorias
Contudo, com o crescimento da população local no final do século XIX, a igreja começou a enfrentar dificuldades para atender às necessidades espirituais da comunidade.
Assim, em 17 de julho de 1901, transferiram a propriedade da igreja para a autoridade eclesiástica, e iniciou-se uma ampliação do edifício.
Com isso, desmontou-se a fachada original e a reconstruíram um pouco mais à frente, sob a supervisão do mestre pedreiro Piet Dimech. Em 1905, a igreja tornou-se vice-paróquia e, em 12 de julho de 1910, a elevaram oficialmente à categoria de paróquia.

Um acervo de grande importância
Com uma peça central original, a pintura de Bartolomeo Garagona, representa Santa Ubaldesca, encomendada pelo Grão-Mestre de Paule. Mais tarde, substituíram essa pintura por uma obra de Lazzaro Pisani, um dos mais importantes artistas malteses do final do século XIX e início do século XX.
Além disso, o interior da igreja é tao rico quanto a história, e existem muitas outras obras, como:
- Um altar financiado pelo povo de Bormla, dedicado à Imaculada Conceição e pintado pelo artista italiano Filippo Venuti.
- Um altar dedicado à Natividade de Nossa Senhora, patrocinado pelo povo de Isla, com uma pintura de Ramiro Cali.
- Um altar dedicado a São Lourenço, patrocinado pelo povo de Birgu, com uma pintura de Giuseppe Duca. Sob essa pintura, encontra-se um antigo crucifixo conhecido como “Kurciffis tal-Gogi”, que possuía articulações para mover as mãos em ocasiões especiais.
Vale destacar que, sempre prestigiavam artistas locais e internacionais.
Outra obra que chama a atenção, por exemplo, é uma moldura entalhada pelo artista maltês Emmanuel Buhagiar, um aluno de Lazzaro Pisani, evidenciando a riqueza das artes decorativas em Malta. Esta moldura, mesmo frequentemente negligenciada em estudos acadêmicos, ficou para a história.
Uma substituta à altura

A Igreja de Santa Ubaldesca deixou de ser a igreja paroquial de Paola, em torno de 1928, quando as funções religiosas começaram a ser realizadas na recém-construída Igreja de Cristo Rei, projetada para atender à crescente população da cidade.
A Igreja de Santa Ubaldesca continuou em uso até 1936.
Malta e os patrimônios degradados
Infelizmente, muitas das preciosas obras de arte da igreja encontram-se em estado de deterioração e necessitam de restauro. Esse é um processo minucioso. Ainda sim, há uma quantidade surreal de preciosidades em Malta.
Entretanto, entre essas preciosidades, existe uma pintura ampliada para caber na moldura atual, possivelmente retratando a Sagrada Família, com uma adição posterior de São João Batista ainda criança.
Também vale mencionar uma das partes mais importantes da igreja: o órgão de tubos localizado na galeria. Infelizmente, ele não está aberto à visitação.
Um legado artístico
Apesar da minha vontade de explorar mais a fundo os detalhes dessa igreja, há pouquíssima informação disponível sobre seu patrimônio artístico — especialmente em inglês.
Mesmo assim, sua história rica e suas obras pouco conhecidas fazem dela um verdadeiro tesouro esquecido do patrimônio maltês. Um tesouro que merece ser mencionado.
Aliás, entre as mais de 365 igrejas de Malta, esta certamente merece uma visita. Ela está localizada em uma região repleta de sítios históricos fascinantes, como o Hipogeu e o Templo de Tarxien — lugares cercados de mistério e curiosidade.
E lembrem-se: igrejas nunca são apenas igrejas.
Elas sempre guardam conteúdo histórico e artístico de alto valor — não só para os amantes da história, mas também para colecionadores e estudiosos da arte.
Além da vocação religiosa
E ainda, para os que desejam se realocar em Malta, ou ate mesmo estudar em Valletta, Paola é uma região considerada de baixo custo e digamos bem localizada.
Então, vale a pena conhecer esta cidade em Malta e seus patrimônios, seus pontos turisticos e apreciar as Festas de Verão também, pois são experiências memoráveis.
E por fim, não esqueça de dar uma consultada nos outros artigos sobre Malta, pois como o que eu sempre afirmo: Malta é o pais mais religioso do Mundo.
Até a próxima!
Bruna Maier
About The Author
Bruna Maier
Bruna Maier é cidadã brasileira e maltesa, empreendedora e especialista em turismo internacional, com mais de 15 anos de experiência como expatriada em Malta. Fundadora da UBM Travel Malta, a única empresa boutique de excursões especializada no mercado de língua portuguesa no arquipélago, Bruna oferece experiências culturais, religiosas, históricas e eco-sustentáveis, com foco no nicho premium e atendimento altamente personalizado.
Nascida e criada em uma tradicional família empreendedora do interior de Santa Catarina, região marcada pela imigração alemã e polonesa, Bruna foi desde cedo moldada pelos valores do trabalho árduo, da diversidade cultural e do pensamento visionário. Sua história familiar, registrada nos livros históricos da região, é marcada por pioneirismo, migração e superação — raízes que despertaram nela um forte senso de responsabilidade social e consciência global.
Desde jovem, envolveu-se com trabalhos voluntários e atividades culturais. Seu primeiro contato com o turismo ocorreu através do universo dos eventos de luxo, onde desenvolveu olhar apurado para os detalhes e excelência no acolhimento. Aos vinte e poucos anos, já havia viajado por países como Dinamarca, Tunísia, Líbano, Catar e por diversas regiões do Brasil, adquirindo vivências únicas em diferentes culturas, sistemas econômicos e relações humanas. Essa bagagem despertou uma paixão duradoura por pessoas, lugares e jornadas com propósito.
Hoje, Bruna une suas paixões por psicologia, sustentabilidade e turismo transformador em projetos que inspiram, conectam e geram impacto contando histórias reais de quem escolheu viver a vida fora do roteiro tradicional.
Além de tudo isso, Bruna é mãe solo de três filhos bilíngues, que são sua raiz, força e maior motivação. Representando a coragem da mulher brasileira com a resiliência maltesa, ela transforma desafios em oportunidades provando que é possível recomeçar, prosperar e deixar legado.