Viajar para o Japão sempre esteve na minha lista de sonhos, talvez por tudo que já tinha lido ou ouvido sobre o país a respeito da tecnologia, organização, educação, cultura. Outro fator importante também, foi o de estar morando na Austrália na época, o que encurtou bastante a distância. Ou, até mesmo por aquela curiosidade que a gente não consegue explicar direito.
Em maio do ano passado, embarquei rumo a esse destino tão esperado, para viver uma experiência intensa e inesquecível.

Cultura surpreendente
Muitas coisas me chamaram atenção nessa viagem, o Japão é muito diferente do Brasil e de outros lugares que visitei. Mas, uma das coisas que mais me marcaram foi perceber como os japoneses vivem com discrição, respeito e muita educação. Vocês vão perceber que ao longo deste texto, a palavra “educação” vai aparecer várias vezes, isso pelo fato deles serem tão respeitosos, que evitam até o contato visual e o toque físico com quem não têm intimidade.
Ninguém te encara, ninguém invade o seu espaço. No transporte público, por exemplo, ninguém fala alto, muito menos come ou bebe (aliás, é considerado falta de educação tomar café dentro do trem). E, curiosamente, não há lixeiras na rua, apesar de ser tudo absolutamente limpo. Impressionante!
Claro que a comida não podia ficar de fora. Comer sushi no Japão foi uma experiência completamente diferente de qualquer restaurante fora de lá. Só sei que depois disso fiquei mais exigente!
Mas também teve perrengue. Fomos parar em um restaurante bem local, sem cardápio em inglês e sem fotos. A comida era… exótica. Nos serviram uns peixinhos inteiros, recém-retirados do aquário, grelhados na nossa mesa. Não conseguimos comer. Pedimos desculpas, agradecemos e saímos rindo da situação. Faz parte!
Idioma: a barreira foi real (mas também divertida)
O máximo que eu sei falar em japonês é “arigatô”. Eu até comecei aprender algumas palavras-chaves para o dia a dia, mas a realidade é bem diferente. A maioria das pessoas não fala inglês, só o básico. Com mímica, sorriso no rosto e um pouco de paciência, as coisas fluiram…
Um exemplo disso foi quando tentamos pedir informações no setor de atendimento do metrô, em inglês, claro, e ninguém conseguiu nos ajudar. Nem mesmo com o tradutor funcionou, ficou tudo muito confuso. Entretanto, acabamos encontrando um homem na rua que estava disposto a ajudar e estava mais acostumado a viajar também, segundo ele. Ele percebeu o problema que estavámos passando e, quando falamos que éramos do Brasil, abriu um sorrisão, adorou, e ainda mencionou o Pelé (clássico).
Transporte público no Japão é maravilhoso
Nós andamos por Tokyo inteira somente de transporte público. Além de ser uma experiência que eu adoro, em alguns destinos é indispensável desfrutar desse facilitador, e essa cidade é um exemplo disso. O transporte público no Japão é maravilhoso: pontual, limpo, organizado e seguro.
Andar de trem no Japão foi uma experiência à parte. Grande parte das estações são subterrâneas, e mesmo assim tudo é muito bem sinalizado, limpo e silencioso. Descer as escadas das estações de Tokyo é como entrar em um universo paralelo.
O silêncio, aliás, é algo que impressiona – ninguém fala alto, ninguém ouve música sem fones. As pessoas geralmente ficam concentradas no celular ou lendo um livro. É tudo tão eficiente que, se o trem está marcado para as 10h09, ele vai sair exatamente nesse horário, não há dúvidas. E se, por acaso atrasar dois minutos, o condutor chega a pedir desculpas pelo sistema de som.
Mas tem suas peculiaridades…
Em Tokyo, o sistema de metrô é operado por empresas diferentes, então às vezes você precisa pagar tarifas separadas mesmo trocando de linha na mesma estação. Os valores variam conforme a distância percorrida, mas, em média, uma passagem simples gira em torno de 150 a 300 ienes (aproximadamente 5 a 10 reais). O bom é que dá para chegar em praticamente qualquer lugar de trem e tudo funciona com precisão japonesa.
Os japoneses seguem tanto a rotina que, quando algo foge do padrão, eles simplesmente não sabem informar. A gente percebeu isso ao tentar confirmar o horário do ônibus para o Monte Fuji. Perguntamos para outros motoristas, tentamos no balcão de check-in e ninguém soube dar uma resposta clara. Como já tínhamos perdido um ônibus no dia anterior por confundir o ponto de partida, ficamos com medo de errar de novo. Mas mesmo tentando confirmar com várias pessoas, ninguém soube ajudar. No fim, tivemos que confiar na informação genérica do site e deu certo!
Monte Fuji

Ver o Monte Fuji de perto foi o ponto alto da viagem. Existe algo de espiritual naquele lugar. Mesmo com turistas em volta, existe silêncio. Paz. Aquela imagem que a gente vê nos cartões-postais ganha vida e parece surreal.
Fomos até Fujikawaguchiko, a cidade que fica aos pés do vulcão e é uma das mais conhecidas entre os turistas que querem ver a montanha de perto. Compramos a passagem de ônibus direto na estação rodoviária de Tokyo, e diga-se de passagem, foi uma verdadeira saga. Mais uma vez, a barreira do idioma dificultou bastante o processo, mas no fim conseguimos! A viagem até lá dura cerca de duas horas e meia, e o trajeto em si já é lindo.
Imprevistos podem acontecer ao viajar para o Japão
Tentamos visitar o Fuji um dia antes, mas não deu certo. Acabamos deixando para o último dia no Japão e, claro, fomos no primeiro horário disponível de ônibus. Quando chegamos, o vulcão estava completamente coberto por nuvens. Fiquei chateada, mas sabia que isso podia acontecer, o tempo por lá muda rápido e a visibilidade depende muito da sorte. Passeamos pela cidade com aquele misto de frustração e esperança. E foi justamente quase na hora de ir embora que o céu começou a se abrir. Aos poucos, ele foi aparecendo. Imponente. Majestoso.
Foi só por alguns minutos, mas o suficiente para deixar a viagem ainda mais inesquecível.
O Monte Fuji é um vulcão ativo, embora esteja adormecido desde 1707. Com 3.776 metros de altura, é a montanha mais alta do Japão e considerada sagrada. Ele aparece em inúmeras obras de arte japonesas e, para eles representa força, pureza e imortalidade. Em dias de céu limpo é possível vê-lo até de Tóquio, mesmo estando a mais de 100 km de distância.

Mais curiosidade e informações de como ir até Monte Fuji, recomendo esse artigo completo.
Entre templos e tecnologia
Tokyo é um contraste vivo. De um lado, você encontra templos silenciosos, cheios de história e espiritualidade. Do outro, luzes de neon, arranha-céus e a velocidade do cotidiano de uma das maiores metrópoles do mundo. A cidade pulsa de um jeito único e diferente. Tem ordem, tem regras, tem respeito. Mas também tem criatividade, cultura pop, moda e muita inovação.
Foi caminhando por bairros como Asakusa, com suas tradições e o templo Senso-ji, que percebi como o Japão consegue preservar suas raízes, mesmo em meio à modernidade. E ao mesmo tempo, ao visitar áreas como Shibuya ou Akihabara, onde a tecnologia domina as vitrines e os outdoors brilham a qualquer hora do dia, entendi que essa fusão entre antigo e novo é parte da identidade do país. E é por isso que, viajar para o Japão é uma experiência tão única, especial e incrível.
Depois de tudo isso, voltar para o Brasil foi um desafio. Se você quiser entender mais sobre como foi esse processo de readaptação e tudo o que aprendi ao voltar para o Brasil depois de anos fora, te convido a ler meu artigo completo clicando aqui.
About The Author
Aline Bandeira
A paixão por escrever, fotografar e contar histórias me fizeram escolher a comunicação. Em 2018, me tornei jornalista e, em 2019, embarquei numa aventura para a Austrália, para aprimorar meu inglês e aprofundar meus estudos em comunicação e marketing. Lá, também me tornei pós-graduada em Marketing e Comunicação. Sou apaixonada por criar e contar histórias atraentes.