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Viver no exterior sem precisar do “pacote pronto” intercâmbio

Última atualização do post:

A vida em outro país oferece oportunidades e desafios
Fazer intercâmbio é muito diferente do que estar por conta própria em outro país

Minha aventura ao viver no exterior começou no meu primeiro intercâmbio, quando fui para a Austrália, sozinha, com seis meses da minha vida planejados. Apesar do medo, sentia uma alegria imensa, pois, aprender outro idioma com nativos e conhecer diferentes culturas e lugares, era o meu sonho.

O pacote “pronto do intercâmbio”

Primeiramente, quando o intercâmbio é planejado direitinho, você já sabe mais ou menos o que esperar: onde estudar, onde morar, em quais áreas tem mais chance de conseguir emprego. Além disso, é necessário contar com pessoas da agência ou da escola para tirar dúvidas. E, geralmente, a viagem já começa com prazo de validade, é preciso visto, contratos, passagens de ida e volta e até comprovar que pode se manter no país, caso não trabalhe (pelo menos foi assim na Austrália).

Nesse contexto, certamente, você está cercada de pessoas na mesma situação, o que torna a adaptação mais fácil. Tudo é novo e interessante. Você encontra brasileiros e gente do mundo todo, aprende o idioma e, dependendo do lugar e do interesse, trabalha para pagar os custos.

Mas e quando viver no exterior já não tem a desculpa dos estudos?

A experiência de viver no exterior, seja por motivo de trabalho (seu ou do seu companheiro) ou para estudar representa a mesma coisa? A verdade é que não.

O idioma continua sendo um desafio, seja no intercâmbio ou não. A diferença é que, no intercâmbio, você dedica horas diárias a ouvir, interpretar, falar, escrever e estudar. Por isso, a cabeça chega a doer, mas passa, porque você se acostuma. Por outro lado, fora desse contexto, o aprendizado acontece no dia a dia: na consulta médica, no mercado, numa conversa inesperada.

O idioma pode ser uma barreira para quem vive no exterior.
O idioma também pode ser um desafio – Imagem: Pixabay

As adaptações também mudam. No “pacote” agora não vêm opções de trabalho, amigos prontos ou uma data para voltar ao Brasil. Você não está mais distraída com colegas de classe que também estão longe de casa. O desafio passa a ser se sentir parte daquele lugar. Para algumas pessoas, começar do zero é mais difícil.

A saudade pode apertar

A saudade da família continua, mas quando não há data para voltar, ela pesa de outro jeito. Viver como residente significa se reinventar: adaptar-se ao clima, à cultura, à comida, lidar com o sotaque que denuncia que você é estrangeira. Muitas vezes, todo esse processo é longo, solitário e dolorido, especialmente quando você não escolheu o destino.

Você precisa buscar novas amizades, descobrir como se sentir em casa e encontrar formas de entrar no mercado de trabalho.
Apesar de tudo isso, a vida nesse novo contexto traz muitos aprendizados. Quando sabemos que vamos ou precisamos ficar, a resiliência cresce. Aprendemos sobre nós mesmas e sobre o mundo.

Percebemos que a vida é uma construção contínua. Passamos a valorizar coisas que antes eram invisíveis. Somos forçadas (no bom sentido) a falar sobre o que sentimos, nos abrir, experimentar coisas novas para amenizar a saudade e a distância.

Morar fora não é só uma fase exótica da vida, mas uma jornada de construção — às vezes solitária, às vezes libertadora, e sempre transformadora.

Dicas para facilitar a adaptação ao viver no exterior

Há dicas para ajudar na adaptação para quem pretende viver no exterior.
Dicas para uma adaptação mais fácil – Imagem: Pixabay

Agora quero compartilhar algumas dicas práticas que podem tornar essa transição mais leve e segura:

1. Esteja preparada para o clima ao viver no exterior

Pesquise bem como é o clima do lugar onde vai morar. Não subestime essa parte, especialmente se for um país mais frio que o Brasil. Reserve um valor para comprar roupas adequadas no destino. Assim, você garante que sejam próprias para o clima local. Se for um lugar de inverno rigoroso, considere chegar em outra estação, para se adaptar gradualmente. Foi isso o que eu fiz antes de ir para o Uruguai.

2. Informe-se sobre o mercado de trabalho

Acima de tudo, verifique se é possível trabalhar na sua área e quais documentos são necessários. Se puder, leve a documentação já traduzida ou autenticada. No entanto, esteja aberta a novas possibilidades, inclusive mudar de área temporariamente enquanto tudo se ajeita.

3. Conecte-se com brasileiros

Antes de mais nada, procure grupos no Facebook de brasileiros que vivem no país. Eles podem, não apenas ajudar com informações práticas, como também esclarecerem dúvidas e até virem a se tornarem seus amigos.

Ao nos conectamos com outros brasileiros, viver no exterior torna-se menos desafiador.
Conecte-se com outros brasileiros – Imagem: Pixabay

4. Adapte sua alimentação, para o processo de viver no exterior se tornar mais fácil

Nem tudo o que você come no Brasil vai estar disponível. Portanto, evite se prender apenas ao arroz e feijão. Procure explorar os mercados locais e descubra novos alimentos. (Dica pessoal: feijão enlatado, na minha opinião, não chega nem perto do nosso sabor, mesmo temperando).

5. Participe de atividades locais

Ao chegar, procure atividades que te interessem, tais como: aulas de dança, pilates, academia, voluntariado. Isso,sem dúvida, ajuda a conhecer pessoas e criar vínculos. Lembre-se: novos amigos não vão bater à sua porta, você precisa dar o primeiro passo.

6. Evite expectativas irreais

A cultura e o comportamento das pessoas podem ser muito diferentes do que você está acostumada. Dessa forma, esteja aberta a compreender, sem comparar o tempo todo.

7. Mesmo ao optar por viver no exterior, mantenha contato com quem ficou

Converse com família e amigos sobre suas dificuldades e alegrias. Eles não têm como adivinhar que você precisa de apoio, portanto, fale. Além disso, convide-os para visitar e compartilhe a realidade, para que entendam que morar fora não é sempre um “mar de rosas”.

8. Tenha uma reserva de emergência

Guarde o equivalente a, pelo menos, seis meses de custo de vida, pois isso traz segurança para lidar com imprevistos enquanto se adapta.

9. Invista no idioma para viver melhor no exterior

Não precisa ser fluente para se mudar, mas ter uma base ajuda muito. É fundamental conseguir fazer compras, se localizar, resolver questões no banco ou no aeroporto e cuidar da documentação sem depender sempre de alguém ou de tradutores.

Se você quiser saber mais sobre esse assunto, clique aqui.

Você também está vivendo no exterior ?

Se esse é o seu caso, ou seja, se você também vive no exterior e sente que a adaptação está levando mais tempo do que imaginava, saiba que não está sozinha. A gente segue aprendendo, tropeçando e criando novas versões de nós mesmas, todos os dias.

Até a próxima!

Jéssica Oliveira

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Jéssica Oliveira

Oii, meu nome é Jéssica, mas pode me chamar de Jessy. Sou de São Paulo, mas moro no Uruguai com meu marido. Sempre fui muito curiosa para conhecer diferentes culturas, idiomas e por isso eu me aventurei em um intercâmbio para a Austrália em 2017. Sou professora de inglês e português para estrangeiros e criadora do Jessy Languages. A minha missão é transformar vidas através do idioma. Na minha página do instagram você pode aprender mais sobre inglês e acompanhar minha vida de imigrante. See you!

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