A Colômbia me ensinou como a diversidade da culinária colombiana pode ser simples e ao mesmo tempo sem explicação. Saí da zona de conforto de conhecer só pratos brasileiros e culturas de países “pops”, para viver em uma terra com muita influência indígena e onde as pessoas aproveitam a comida.
Primeiramente, a Colômbia sempre foi um país desconhecido para mim em termos de cultura, estilo de vida, etc. Pessoalmente falando, até me deixa triste ver pessoas desmerecendo a Colômbia por pura ignorância (no sentido de desconhecer a informação) e acredito que eu, sendo uma “gringa” aqui, vejo com olhos diferentes de um nativo, mas não me esquivo em fazer a defesa do que acho justo defender e de fato dizer a verdade.
A vida na Colômbia me ensinou a amar a América Latina. Me ensinou que nosso continente é rico em cultura, pessoas, comida, turismo e tantas outras coisas. Além disso, aqui posso ter contato com pessoas de diferentes países, como Panamá, México, Equador, Argentina, Peru e até americanos. É um país que, assim como o nosso, acolhe todos que chegam (sem o nosso jeitinho brasileiro) e está aberto a compartilhar o melhor que há.
Para você que não sabe, sou nutricionista e me formei há quase 10 anos. Adicionalmente, essa mudança de país também trouxe a mim e a minha família também, muitas coisas boas em termos de saúde. Por isso, hoje, escrevo sob o ponto de vista da minha profissão.

Grande variedade de frutas e verduras
A Colômbia possui grande variedade de frutas exóticas, resultado de sua impressionante diversidade de climas e regiões. Entre as mais famosas está o lulo, refrescante e ácido, base da tradicional “lulada” que na minha opinião é um dos melhores sucos locais. A granadilla, parente doce do maracujá, é muito consumida ao natural e servida para as crianças desde pequenas.
A uchuva, com seu tom alaranjado e possuindo uma casca fina, aparece em sobremesas, geleias e pratos sofisticados. Essa fruta também é encontrada no Brasil, nas regiões Norte e Nordeste, mas com o nome de camapu ou joá-de-capote.
Também tem a feijoa, com sabor entre doce e ácido. Outra opção é a guanábana, grande e de polpa branca, que muitos apreciam em sucos cremosos e sorvetes. Eu gosto da feijoa, porém, a guanábana, não é a minha preferência.
O borojó é energético e afrodisíaco, típico da região do Pacífico. Já o chontaduro, fruto do palmito, se come cozido com sal ou mel, muito nutritivo e culturalmente importante, se parece com um tipo de tomate.
O mamoncillo é uma fruta pequena e verde que guarda uma polpa doce e suculenta, em torno de um caroço grande. O níspero, é macio e adocicado, e o zapote, de polpa alaranjada e extremamente doce. Quando provei, não gostei!!!
Na costa caribenha, destaca-se o corozo, usado para preparar refrescos e sobremesas. Já na região da Amazônia, surgem joias únicas como o arazá, de aroma intenso, e o camu camu, famoso por sua altíssima concentração de vitamina C.
O copoazú, parente do cacau, é muito famoso no Brasil. E eu como uma amazonense, adoro essa fruta; ela é utilizada como base de sucos e sobremesas cremosas, enquanto o caimito, de cor roxa e polpa adocicada, completa essa diversidade tropical.
Cultura indígena nos pratos locais
A culinária colombiana é cheia de pratos variados, mas uma característica comum em quase todas as regiões, é a presença de carboidratos e proteínas. O arroz está praticamente em todas as refeições principais, muitas vezes acompanhado de batata, banana-da-terra frita ou arepas, o que faz com que o prato seja rico em fontes de energia. Além disso, a yuca (mandioca) e o milho são também fontes de carboidratos que aparecem em sopas, ensopados e acompanhamentos.
Nesse contexto, a cultura indígena tem um papel fundamental na culinária colombiana, pois muitos pratos tradicionais nasceram das práticas alimentares desses povos originários. O uso do milho, por exemplo, é herança direta dos povos indígenas, sendo a base de arepas, tamales e bebidas como a chicha. A mandioca (yuca), raiz cultivada há séculos, é ingrediente essencial em sopas, pães e acompanhamentos. A presença dos carboidratos está fortemente ligada a esses costumes ancestrais.
Curiosamente, eles não utilizam as mesmas farinhas que temos no Brasil — herança dos nossos povos indígenas. Mas outro legado marcante é a ampla utilização de tubérculos como batata e arracacha, presentes em pratos típicos como o ajiaco.
Proteínas e as gorduras compõem a diversidade da culinária colombiana
Falando em proteínas, a dieta colombiana valoriza bastante as carnes, especialmente de frango, boi e porco. Os colombianos também consomem o peixe , principalmente nas regiões costeiras, e esse acesso é facilitado pela localização. Um prato típico, como a bandeja paisa, é um bom exemplo dessa abundância: arroz, feijão, carne moída, chicharrón (torresmo), ovo, linguiça, abacate e arepa, toda essa variedade, em uma porção generosa.

Outro traço forte da diversidade da culinária colombiana são as frituras. Empanadas, bolinhos de batata, arepas fritas e buñuelos são muito populares no dia a dia e também nas celebrações. Aliás, há muita gente que consome esses tipos de alimentos, logo no café da manhã. Essa preferência por alimentos fritos reflete tanto a tradição culinária, quanto o gosto por pratos de sabor intenso, como o próprio torresmo.
Há muitos pratos que combinam todos esses alimentos em um mesmo lugar. Na verdade, a culinária daqui possui refeições robustas, que combinam energia dos carboidratos, proteínas e o sabor marcante das frituras, compondo uma identidade gastronômica muito própria.
About The Author
Gabriela Iuspa
Olá!! Bem vindo à Colômbia!
Estou há 5 anos nesse país que levarei pra sempre em meu coração. Sou mãe, esposa, nutricionista e corredora nas horas vagas. Não consigo ficar sem fazer nada por muito tempo, então sempre estou buscando coisas novas pra fazer pra conhecer por aqui!!! Eu amo esse país e posso viver aqui por muitos e muitos anos mais que serei muito feliz!!!! Espero que você goste dos meus relatos e que eu possa te ajudar de alguma maneira com a minha vivência fora do meu amado Brasil.