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Maternidade no exterior- viver entre dois países

Última atualização do post:

Ser estrangeira no país do meu filho é enfrentar desafios culturais constantes.
A questão da nacionalidade trazendo desafios

Viver entre dois países é um enredo digno de novela mexicana com roteiro escrito pela vida real. Para muitas famílias brasileiras que construíram uma nova história no exterior, o desafio é duplo: ser mãe, pai, ou cuidador em uma cultura diferente e, ao mesmo tempo, perceber que os filhos crescem se sentindo pertencentes a um lugar que não é o nosso.

É uma mistura de sotaques, identidades e tradições, onde até o simples ato de preparar o café da manhã pode virar uma aula de diplomacia cultural. E o mais curioso é perceber que, enquanto nós adultos tentamos nos adaptar ao novo país, nossos filhos fazem o caminho inverso: tornam-se nativos onde nasceram e estrangeiros (apesar da maioria ter dupla nacionalidade) quando visitam o Brasil.

Ser estrangeira no país do(a) filho(a)

Ser mãe ou pai estrangeiro é muitas vezes ser um tradutor cultural ambulante. Você tenta entender o sistema escolar, as gírias locais, as festinhas de aniversário e até o jeito diferente de criar filhos.

No início, tudo parece uma maratona sem manual. Você se esforça para participar das reuniões da escola, mas se confunde com as expressões idiomáticas; leva o filho para brincar no parque e sente que o seu jeito de educar parece “brasileiro demais”.

Enquanto isso, seu filho troca de idioma com a mesma naturalidade com que troca de brinquedo e, aos poucos, começa a te corrigir na língua local, ou como no caso do meu pequeno Santiago, ele diz, “Mama, fala espanhol, estamos no México”.

Esse é o momento em que a ficha cai: seu filho é nativo de um país, e você, mesmo com residência e documentos, é de outro. E mais, ele entende as piadas, sabe cantar o hino e fala do clima com naturalidade. Por outro lado, você ainda luta para entender por que o leite tem mil versões e o feijão vem enlatado.

Mas há beleza em viver entre dois países: ver o filho agir com naturalidade sobre tudo isso é também uma lição de flexibilidade. Aprendemos com eles que o pertencimento não é uma questão de origem, mas de afeto e curiosidade.

Viver entre dois países quando seu filho não é brasileiro é ainda mais desafiador.
Meu pequeno mexicano-brasileiro Santiago, no zoológico de Santiago de Querétaro – Imagem: Arquivo Pessoal

Quando o filho é estrangeiro no nosso país

Mas o jogo vira quando a família viaja para o Brasil e o pequeno “nativo do exterior” descobre que lá, ele é o estrangeiro. A cena é clássica: o filho fala português com sotaque, estranha o calor (Santiago reclamava todo dia que Belém é muito quente), chora com as picadas de insetos e pergunta por que não se come tanta pimenta quanto em seu país.

De repente, o país que está no nosso coração é um lugar “exótico” para ele. E você, entre risadas e suspiros, percebe que ele está vendo o Brasil com olhos curiosos – os mesmos que você usou quando chegou ao novo país.

E para mim, como mãe, é um exercício de paciência e orgulho. É preciso respeitar o ritmo do filho, entender que ele não viveu a infância brasileira que eu tive, ou seja, cresceu sem subir em árvore, ou tomar açaí e banho de chuva.

Ao mesmo tempo, é uma oportunidade de ensinar: mostrar as raízes, apresentar os avós, as comidas típicas e as palavras que só existem em português. Deixar que ele se sinta estrangeiro no Brasil faz parte do processo de aprender a ter duas casas — uma no coração e outra no passaporte.

Viver entre dois países- dois idiomas, duas culturas, um só lar

Famílias bilíngues ou multiculturais vivem uma dança diária de identidade. À mesa, fala-se português e espanhol, ou inglês e português, e às vezes tudo misturado, com resultados hilários, como por exemplo : “Mãe, posso pegar o refrigerante no refri?” ou “Você vai comprarbotanas no mercado?”.

O cérebro da criança faz malabarismos linguísticos com naturalidade, enquanto os pais tentam lembrar a palavra certa em meio à confusão dos idiomas. É um tremendo “portunhol” com pitadas de inglês em casa, que as pessoas não entendem “nadica de nadica”.

A dica é simples: abrace o caos linguístico com leveza. Misturar idiomas faz parte do crescimento bilíngue e não significa perda, mas expansão. O segredo está em manter o idioma materno vivo de forma divertida: com músicas, histórias, desenhos e conversas diárias.

E principalmente, sem transformar o português em obrigação ou punição. Quando o idioma vira afeto, ele fica. E, um dia, quando seu filho disser “mãe, que saudade” com sotaque gringo, você vai entender que o coração dele fala português fluentemente. E nada de “na hora da briga só sai português”, para que assim o pequeno não associe o idioma ao castigo.

Leia mais aqui nessa matéria sobre Cidadã do mundo: minha vida com três cidadanias – Diário de uma Expatriada

Precisamos ensinar a cultura brasileira para nossos filhos estrangeiros.
Quando falamos do Brasil pro meu filho, ele logo diz que ama Fortaleza – Imagem: Arquivo Pessoal

Dicas para viver bem entre dois países

Manter o equilíbrio entre duas culturas é uma arte, e há estratégias que ajudam. Primeiro, crie rituais familiares que conectem as duas identidades. Pode cozinhar pratos brasileiros no domingo, celebrar festas típicas dos dois países ou assistir filmes em português uma vez por semana. Esses momentos ajudam a criança a sentir que as duas culturas convivem em harmonia.

Segundo, incentive a curiosidade cultural. Mostre ao seu filho que ele não precisa “escolher um país”, mas pode ser cidadão dos dois. Ensine-o a valorizar a diversidade, a falar com orgulho de suas origens e a lidar com perguntas curiosas como : “de onde você é de verdade?”.

Por fim, lembre-se de que o pertencimento é construído com tempo, paciência e amor. Um dia, seu filho vai entender que ter duas nacionalidades não é confusão — é privilégio. Sempre digo para Santiago que ele tem sorte de ter dois países para chamar de seu e poder amar o melhor dos dois, sem escolhas.

Pelo menos por enquanto, ele ainda não tem obrigações eleitorais nem militares em dois países… (risos). O problema começa quando ele sentir vontade de escolher uma seleção para torcer… hahaah!

O dilema  de viver entre dois países também se estende ao futebol.
Jogo Brasil x México sempre é sofrido – Imagem: Pexels – Pixabay

Conclusão: o amor como território comum

No fim das contas, viver entre dois países é viver entre mundos — e isso é mais bênção do que fardo. Somos pontes entre culturas, intérpretes de tradições e guardiões de memórias.

Ser estrangeira no país do meu filho me ensina humildade e adaptação; ver meu filho estrangeiro no meu país me ensina a soltar o controle e aceitar que o mundo dele é maior que o meu.

Além disso, criar hábitos também ajuda, como por exemplo: nós temos como atividade dançar músicas tanto do Brasil quanto do México, gostamos do ritual de se preparar para viajar e brincamos com os “falsos amigos” em português e espanhol.

E sempre digo para ele: hoje parece chato, mas amanhã vais me agradecer os idiomas, as viagens e que sempre serás a alma da festa (Santiago dança cumbia como ninguém, ritmo esse muito comum no México e em Belém, cidade que nasci no Brasil) com todos os passos em dia!

A vida entre fronteiras é feita de sotaques misturados, receitas adaptadas e corações divididos. Mas também é feita de risadas compartilhadas, novas amizades e uma imensa capacidade de amar em dois idiomas.

E se há uma lição que essas famílias aprendem melhor do que ninguém é esta: o lar não é um lugar fixo no mapa — é onde o amor fala todas as línguas e o coração entende todas as fronteiras.

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Caroline Solano

Olá! Sou Caroline, brasileira de Belém no Pará residente nas terras Aztecas, México. Sou especialista em marketing internacional, com bastante experiência em tropicalização e localização de conteúdo para o mercado brasileiro. Trabalho com desenhos animados há muitos anos (sim, sou paga para assistir animes hahaah) mas também, paralelamente, trabalho com terapias energéticas como Reiki, com Tarot e Medicina Tradicional Chinesa (Registro profissional de Terapeuta ABRATH- CRTH- BR 11574).  Como em uma novela mexicana vim parar aqui no México por conta de um grande amor e viver uma grande aventura a ¡La mexicana! Sempre vou levar você a refletir sobre algo, mas as risadas também estão garantidas. Um cheiro pra ti!

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