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O primeiro dia na escola dos seus filhos na Noruega

Última atualização do post:

Lembro com detalhes como foi no primeiro dia de aula da minha filha.
Minha filha no primeiro dia de aula na Noruega -Imagem: Arquivo Pessoal

Você se lembra do seu primeiro dia na escola?
Eu me lembro vagamente do meu, mas lembro com todos os detalhes do primeiro dia da Veronica, minha filha, que começou na escola aqui na Noruega em 2017. E pensar que, hoje, enquanto escrevo este texto, ela está entrando no nono ano. E eu? Ainda estou tentando entender como o tempo passou tão rápido…

Se você é mãe ou pai de primeira viagem na Noruega, provavelmente já se pegou pensando:
“Como será o primeiro dia de aula do meu filho aqui?”

Pois, bem, além da minha experiência como mãe, trabalho em escolas norueguesas desde 2016. Além disso, já acompanhei muitos primeiros dias: crianças animadas, tímidas, assustadas, sorridentes… e também crianças recém-chegadas de outros países, que não falavam uma palavra de norueguês no início.

Por isso, esse post é um misto de relato pessoal e orientações práticas. E vou te contar como funciona a chegada na escola, como é o SFO, o que esperar da rotina. E talvez o mais importante: como apoiar seu filho ou filha nesse momento tão marcante.

Vai por mim: saber o que esperar faz toda a diferença.

1. Como é feita a matrícula escolar na Noruega

Aqui na Noruega, as crianças entram na escola no ano em que completam seis anos e não é preciso fazer matrícula como no Brasil. O sistema envia uma carta informando qual escola a criança vai frequentar, que, normalmente, é a mais próxima da sua casa. Isso acontece geralmente alguns meses antes do início do ano letivo, em agosto.

Nota pessoal: Receber essa carta foi uma mistura de alívio e nervosismo. Era real: minha filha ia para a escola! Lembro que fiquei observando a fachada da escola dias antes da visita. Tudo era novo para a gente. Inclusive, a parte externa das escolas norueguesas são ambientes que todos podem usar quando ela não está em funcionamento. Portanto, algo que pode ajudar na adaptação é começar a frequentar o parquinho das escolas no final de semana, por exemplo.

2. Visitas à escola antes do primeiro dia

As visitas acontecem antes das férias de verão: uma com a turma da barnehage (jardim de infância) e outra com os pais. Nesses encontros, as crianças conhecem o ambiente escolar, os professores e os futuros colegas.

Como foi com a Veronica: ela voltou da visita com os olhos brilhando. Lembro que ela contou com detalhes como foi brincar no pátio e conhecer a futura professora. Isso ajudou muito a quebrar o gelo. Aliás, foi importante tanto para ela quanto para mim.

A escola de tempo estendido é uma opção que funciona antes e depois do horário regular de aula.
Foto do SFO da minha filha – Imagem: Arquivo Pessoal

3. Como funciona o SFO (Skolefritidsordning)

O SFO é um tipo de “escola de tempo estendido” que funciona antes e depois do horário regular de aula (normalmente das 7h30 às 16h30). Ele é pago, mas muitas famílias o utilizam porque o horário escolar é curto: das 8h30 às 13h30. Entretanto, os horários podem variar, dependendo da kommune.

Minha dica pessoal: Recomendo fortemente começar pelo SFO alguns dias antes das aulas, se possível. A Veronica começou assim e se sentiu mais entrosada com o espaço e com as crianças, pois foi como uma adaptação mais leve.

Algumas regiões oferecem parte do SFO de graça nos primeiros anos. Vale a pena perguntar na sua kommune. E também lembre de matricular a criança no SFO antes das férias, já que isso não é automático. Em Bergen, tanto a matricula quanto a comunicação funcionam pelo Vigilo, mas você sempre encontra informações no site da prefeitura ou no site da própria escola.

4. O primeiro dia de aula, cerimônia e acolhimento

No primeiro dia de aula, os alunos do 1º ano chegam mais tarde (por volta das 11h30) e são recebidos com uma pequena cerimônia. O reitor apresenta a equipe, chama as crianças pelo nome, e elas vão até a frente com a professora. Algumas escolas oferecem uma pequena flor ou lembrança nesse momento.

Como foi para nós: A diretora chamou a Veronica, ela foi até lá e recebeu uma rosa. Nós pudemos entrar na sala com ela, encontrar o lugar onde sentaria e dar aquele abraço apertado. Em seguida, ficamos do lado de fora esperando, observando e tentando não chorar.

5. Roupa apropriada: mais importante do que você imagina

As escolas não enviam uma lista de material ou roupas, porque já se espera que as famílias saibam do que a criança precisa. Mas a verdade é: a criança vai para fora todo santo dia, faça sol, chuva ou neve. Então, precisa ter roupas impermeáveis, térmicas e calçados adequados.

Minha dica: Deixe um par de roupas extras sempre na escola, junto com luvas, touca e meias. Com o tempo e a experiência, você vai aprender a montar esse “kit” quase no automático.

Se quiser, posso escrever um artigo só sobre isso. Deixa aqui nos comentários.

Para uma melhor adaptação no primeiro dia da escola de seu filho, é interessante levá-lo antes para conhecer o local que irá estudar.
Foto na escola que trabalho na Noruega – Imagem: Arquivo Pessoal

6. Faltas, avisos e comunicação com a escola

Se a criança vai faltar por doença, por exemplo, você pode avisar diretamente ao professor. Mas se a falta for por motivo de viagem ou algo mais longo, precisa enviar um pedido formal à escola. Como citei anteriormente, a comunicação em Bergen é feita através do Vigilo, que você usa pelo aplicativo, ou site pelo computador. Pessoalmente, acho que o uso pelo computador é melhor.

O que eu faço: Sempre tento avisar o mais cedo possível, mesmo quando é só um resfriado. Assim, você mantém uma boa relação com a escola e evita confusões.

7. Fique presente, mesmo quando não estiver lá

Antes de mais nada, conversar com os professores, participar das reuniões, perguntar sobre o dia da criança, tudo isso faz parte da construção de confiança e da vida escolar na Noruega, que é bastante baseada na parceria entre casa e escola.

Um detalhe bonito: Aqui, os professores realmente se importam. Dessa forma, eles observam os alunos individualmente, e se uma criança tiver alguma dificuldade, ela será acompanhada desde cedo. Lógico que, como em outros países, aqui também caímos na burocracia do sistema e as coisas podem demorar mais do que esperamos. Inclusive, um diagnóstico vindo do jardim de infância, já pode abrir muitas portas.

Se você tiver um filho que tenha qualquer tipo de necessidade ou que tenha tido acompanhamento anterior, não tenha receio de entrar em contato com a escola e pedir uma reunião para informar.

A adaptação dos filhos é muito importante e se desenvolve de forma mais plena no primeiro dia na escola
Minha filha brincando no parque da montanha – Imagem: Arquivo Pessoal

8. Construa laços com outras famílias

Um dos segredos para que seu filho se sinta integrado é conhecer outras crianças fora da escola também. Convidar um ou dois colegas para um passeio ou almoço em casa pode parecer simples, mas cria vínculos profundos.

Minha experiência: algumas das amizades mais bonitas começam na fase inicial da escola, com um simples convite para brincar no parquinho. E, sem dúvida, essas amizades, não raras vezes, acompanham as crianças por toda a vida escolar.

9. E se a criança vem de outro país? Como será o primeiro dia na escola?

Se o seu filho(a) está começando a escola na Noruega depois de já ter vivido em outro lugar, saiba que existe uma rede de apoio bem estruturada para crianças recém-chegadas.

Em vários casos, há turmas de introduksjonsklasse (classe de introdução), onde as crianças aprendem norueguês como segunda língua, antes de irem para uma turma regular. Em outras, elas já começam na turma do ano correspondente à sua idade, com suporte linguístico paralelo.

Na prática: A escola faz uma avaliação inicial para entender o nível da criança, tanto em conteúdo escolar quanto no idioma. A partir daí, oferece acompanhamento personalizado, inclusive com professores especializados em “norueguês como segunda língua”. Claro que o funcionamento sempre vai depender de cada escola e prefeitura. Nos últimos anos aqui em Bergen, as crianças recém chegadas no primeiro ou segundo ano iniciam nas classes normais com suporte extra.

Dica de mãe e educadora: se puder, converse com a escola antes do início das aulas. Levar informações sobre a escolaridade anterior da criança, vacinas e até gostos pessoais podem fazer toda a diferença. Além disso, sempre que possível, incentive seu filho a manter a língua materna viva em casa, pois isso fortalece a autoestima e acelera o aprendizado de novas línguas.

Ah! E não se preocupe se a criança demorar a falar norueguês, muitas delas passam meses ouvindo antes de começar a se comunicar. Isso é completamente normal e respeitado no sistema educativo norueguês.

💬 Reflexão pessoal: O idioma faz diferença, sim

Como expatriada, eu sei bem que uma das maiores barreiras que enfrentamos é o idioma. E até já escrevi sobre isso. Sem dúvida, no começo, os noruegueses costumam se esforçar para falar inglês com você e isso ajuda bastante. Mas com o tempo, percebi que não se interessar pelo idioma local pode ser visto como desinteresse pela cultura.

Essa sensação ficou ainda mais forte quando minha filha começou a escola. As crianças criam piadas, códigos, trocam expressões entre si e, se a gente não entende, fica de fora de um pedaço da vivência delas.

Já pensei muitas vezes: e se eu não entendesse o que ela estava dizendo? E se ela quisesse compartilhar uma história engraçada e eu só respondesse com um sorriso vazio?

Por isso, aprender norueguês foi uma escolha que me permitiu acompanhar mais de perto a rotina da minha filha, não só na parte formal, mas também no que é mais importante: o afeto do dia a dia, as conversas simples e os momentos espontâneos. Contudo, isso não significa que parei de falar português com ela, muito pelo contrário, continuo até hoje. Minha filha, fala, lê e escreve em português. E valeu muito a pena insistir. Mas isso talvez seja assunto para outro artigo, muito embora colegas já tenham relatado em artigos como esse aqui no blog.

Considerações finais sobre o primeiro dia na escola dos seus filhos

Portanto, se você ainda está no início da jornada, respire fundo. Leva tempo, mas vale muito a pena.

Espero que tenha gostado desse assunto. E se inscreva aqui no ‘blog’ para receber as notificações de posts novos. Se gosta de conteúdos sobre a Noruega, me acompanhe também lá no Instagram.

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Abraços, Erinice

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Erinice Eversvik

Sou paranaense. Moro em Bergen, na Noruega, há doze anos com meu marido e nossa filha. Sou formada em História com especialização na área de pedagogia e na Noruega precisei começar do zero. Me surpreendi com o resultado. Hoje trabalho em uma escola municipal e no meu tempo livre, crio roteiros personalizados de viagem para Noruega.

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