Mudar-se para outro país é um processo que exige bastante, principalmente relacionado à independência para resolver as situações do dia a dia através de um novo idioma. A adaptação vai desde coisas super básicas, como encontrar uma manicure que te agrade ou até algo mais complexo, como solicitar um serviço.
A primeira vez que saí do país foi para fazer um intercâmbio. A intenção de participar desse programa para mim sempre foi melhorar o inglês, e não aprender o idioma do zero.
Quando viajei, eu já conseguia me virar e por isso eu enfrentava todas as situações de maneira mais segura. Lembro que na minha primeira entrevista de trabalho, havia outras brasileiras e a coordenadora, e percebendo que não conseguiria se comunicar com as outras meninas, me pediu para ajudá-la a traduzir.
É claro que, quando cheguei na Austrália, o meu inglês não era nível avançado e ainda tinha muitas dificuldades. Contudo, ter um conhecimento intermediário do idioma me permitiu sentir-me independente e conseguir me adaptar melhor, já que eu não dependia de ninguém para encontrar serviços e pedir informações, por exemplo.
Preciso ter nível avançado para morar fora?
Ter nível avançado em um idioma significa que você consegue ser totalmente independente, mesmo em situações complexas, como participar de debates, reuniões e falar sobre assuntos diversos. Você consegue expressar opinião e argumento com facilidade e sem hesitação.
Mas, para se mudar, você não precisa estar nesse nível. Acredito que o mais importante é você conseguir pelo menos chegar ao nível pré-intermediário do idioma.
Embora nesse nível ainda falte vocabulário e fluidez, já existe autonomia para “se virar” em muitas situações cotidianas. O resto você aprende lá.
A independência através do idioma

Gosto de dizer que falar outro idioma traz independência. Por isso, acredito que seja importante se preparar antes de uma mudança. É preciso ter uma base para que você consiga se desenvolver ainda mais a partir dela.
Imagine se perder e não saber pedir informação? Ou ter um problema e não poder dizer qual é ? Imagina não poder se comunicar com outras pessoas?
Tudo isso é possível porque há um idioma que conecta todos.
Sentir-se dependente de alguém por não saber inglês, por exemplo, pode dificultar o processo de imigração, que como já vimos, é um caminho bastante complicado.
A sensação de perda de identidade ao falar outro idioma
Você já deve ter visto vários memes dizendo algo assim: “eu sou muito mais engraçada no meu idioma”. Isso está diretamente relacionado a como você se sente falando outra língua.
O que envolve um idioma vai muito além de palavras e gramática: inclui entonação, nuances, gestos, gírias e piadas locais. Todos esses elementos, combinados com o vocabulário e a gramática, ajudam a transmitir a mensagem que o falante quer comunicar.”
Vou dar um exemplo para ficar mais claro: Imagine você falando a frase a seguir, mas com entonações diferentes.
Pergunta:
Você vai sair?
Surpresa:
Você vai sair?!
Ordem / pressão:
Você vai sair.
O mesmo acontece em outro idioma. E já que o aprendizado é um processo de longo prazo, você vai sentir que não é mais a mesma em outro idioma, até chegar um momento que você terá construído sua identidade na nova língua.
Essa desconexão consigo mesma ao falar outro idioma tem mais uma explicação: a língua materna carrega emoções. Foi nela que você aprendeu sobre carinho e raiva, por exemplo. Falar sobre emoções no segundo idioma pode criar uma pequena distância emocional. Mas com tempo, o segundo idioma pode ganhar carga emocional também e você volta a ter a sua indentidade novamente.
O medo de errar e a comparação
Muitas pessoas sabem que aprender um segundo idioma ainda na infância é muito mais fácil. O que explica isso são fatores físicos e emocionais.
Antes da puberdade, segundo alguns estudos, existe maior plasticidade cerebral, ou seja, maior capacidade de reorganização. Além disso, as crianças ainda estão formando a capacidade de autoavaliação social e por isso o que os outros vão pensar não importa para elas. Isso favorece o aprendizado.
Já os adultos tem uma identidade formada e o medo do julgamento, e portanto, faz com que o aprendizado seja um pouco mais lento.
Porém, de acordo com estudos recentes, é possível aprender novas línguas em qualquer idade.
Ou seja, para os adultos, é normal ter medo de errar e se comparar, mas lembre-se que não há aprendizado sem erro e você deve se orgulhar por falar um segundo idioma ou buscar se aperfeiçoar. Não deixe que sua autocrítica te atrapalhe. Lute contra ela a seu favor.
Pequenas vitórias que constroem a confiança
Parece muito mais fácil focar-se nos erros. Mas e se você começar a colocar foco nas suas pequenas vitórias? Aquela música que você ouve há anos e nunca entendeu nada e agora entende algumas frases. Aquela pergunta que um estrangeiro te fez e você conseguiu entender e responder. O elogio da sua professora enfatizando o que você já melhorou?
Tenho certeza que se você mudar o foco, você vai se sentir muito mais motivada.

O que realmente importa
Se você está morando em outro país e continua com dificuldade com o idioma, você não está sozinha. Mas lembre-se que nunca é tarde para começar a fazer algo por você. Não importa quanto tempo já se passou, o que importa é o que você realmente quer. Se você acredita, assim como eu, que saber o idioma local vai te trazer mais independência prática e emocional.
Então vá atrás disso e não se deixe abalar pelo tempo que vai levar até você se sentir independente.
About The Author
Jéssica Oliveira
Oii, meu nome é Jéssica, mas pode me chamar de Jessy. Sou de São Paulo, mas moro no Uruguai com meu marido. Sempre fui muito curiosa para conhecer diferentes culturas, idiomas e por isso eu me aventurei em um intercâmbio para a Austrália em 2017.
Sou professora de inglês e português para estrangeiros e criadora do Jessy Languages. A minha missão é transformar vidas através do idioma.
Na minha página do instagram você pode aprender mais sobre inglês e acompanhar minha vida de imigrante.
See you!