Quando decidimos ou precisamos realizar uma mudança internacional, devemos levar em consideração muitos fatores para fazermos esta transição da forma mais tranquila possível. Mudar de país não envolve apenas organizar documentos, malas e passagens. É também uma mudança emocional, cultural e, muitas vezes, de identidade.
Dessa forma, com base na minha experiência como expatriada, separei cinco aspectos que considero importantes para tornar esse processo um pouco mais leve.
Aprender o idioma
Se você estiver indo a passeio, talvez seja mais fácil, pois pode contratar um guia que fale o inglês, e até o português, dependendo do país – afinal, os brasileiros estão em todas as partes!
Entretanto, quando você vai morar em outro país, acredito que aprender pelo menos o básico do idioma local seja muito importante. Mesmo em lugares onde muitas pessoas falem inglês, tentar se comunicar na língua local pode fazer diferença.
As pessoas podem se sentir mais abertas a você e, muitas vezes, mais dispostas a ajudar. Em algumas cidades da China, por exemplo, é difícil encontrar pessoas que falem o inglês. A comunicação precisa ser feita pelo celular, usando aplicativos de tradução.
Além disso, saber o idioma local pode te trazer segurança. Você consegue resolver problemas sozinha, fazer amizades, pedir ajuda, entender melhor o que está acontecendo ao seu redor e até ajudar outras pessoas. E, com isso, sua autoestima aumenta. Quando moramos fora, é comum nos sentirmos um pouco mais vulneráveis ou até inferiores em determinadas situações.
Mas posso dizer uma coisa: dominar o idioma é quase como ter superpoderes. Moro em Singapura, e aqui o inglês é amplamente utilizado. Porém, o sotaque, a velocidade da fala e a mistura com outros idiomas locais podem tornar a compreensão mais difícil, principalmente ao telefone. Mesmo assim, saber inglês já resolve grande parte da sua vida por aqui.

Por isso, não espere dominar o idioma para começar a viver. Aprenda o suficiente para se comunicar, resolver situações do dia a dia e, principalmente, para conseguir se posicionar quando necessário.
Procure uma comunidade brasileira
Muitas vezes, quando moramos fora, podemos nos sentir sozinhas e sentir falta até das coisas mais simples: conversar em português, entender determinadas referências culturais ou simplesmente estar perto de pessoas que passaram por experiências parecidas.
Por isso, aconselho procurar comunidades brasileiras antes mesmo de se mudar para o país de destino. Esses grupos podem ajudar você a conhecer brasileiros que já vivem naquele lugar, pegar dicas importantes e, quem sabe, começar a criar vínculos e amizades antes mesmo da mudança.
É muito mais fácil quando você já conhece alguém que pode dar aqueles famosos “bizus” que levaria muito mais tempo para você descobrir sozinha. Em Singapura, por exemplo, existem várias comunidades brasileiras no WhatsApp voltadas para diferentes assuntos: desapego, viagens, escolas, diversão e muito mais.

Além disso, existem eventos culturais nas escolas e outros encontros em que é possível conhecer brasileiros, trocar experiências, descobrir informações sobre a vida local e, principalmente, construir uma rede de apoio ( o que faz toda a diferença na hora do aperto).
Não deixe a vida cair na rotina
Quando chegamos a um novo país, geralmente ficamos empolgadas com todas as novidades. Queremos conhecer lugares, experimentar comidas, visitar pontos turísticos e descobrir como tudo funciona. Mas, depois de algum tempo, a novidade passa.
E você pode acabar vivendo exatamente a mesma rotina que tinha no Brasil (só que em outro país). Marido trabalhando, crianças na escola e você em casa cuidando das tarefas do dia a dia. É nesse momento que a solidão pode começar a aparecer.Por isso, considero muito importante encontrar atividades de que você goste e que façam parte da sua vida fora das obrigações domésticas e familiares.
Pode ser uma atividade física, um curso, um passeio ao ar livre, um hobby, um trabalho voluntário ou simplesmente sair para conhecer um lugar novo. O importante é não ficar parada esperando a vida acontecer. Em Singapura existem muitas atividades para fazer e oportunidades para conhecer pessoas novas.
Uma opção é o website ActiveSG, que oferece atividades esportivas e outras opções de lazer a preços mais acessíveis. E, em Singapura, encontrar alternativas mais econômicas é sempre uma boa ideia, porque nada aqui é exatamente barato!
Esteja preparada para o desapego
Família, amigos, trabalho, lugares conhecidos, datas comemorativas…uma mudança internacional significa perder a presença física em muitos momentos importantes. E isso pode pesar ainda mais quando chega uma data especial ou quando alguém da família fica doente.
Por isso, acho importante entrar nessa experiência sabendo que a saudade fará parte do caminho. Estar disposta ao desapego não significa deixar de amar quem ficou no Brasil ou esquecer sua vida anterior. Significa entender que a vida tem ciclos e que mudanças fazem parte dela. Você pode sentir saudade. Pode chorar. Pode sentir falta.
O problema é quando a saudade passa a ocupar tanto espaço, que impede você de viver a vida que tem agora. Se o processo de adaptação estiver sendo muito difícil, buscar ajuda profissional também pode ser uma excelente opção. A terapia pode ajudar a compreender melhor os sentimentos e a lidar com as mudanças. Desapegar não é deixar de sentir: é aprender a seguir em frente mesmo sentindo.
E se a experiência não for como eu imaginar?
Nós tendemos a idealizar o futuro. Imaginamos como será nossa casa, nossos amigos, nossa rotina, os lugares que vamos conhecer e até como vamos nos sentir vivendo naquele país. E acredito que essa idealização seja uma das principais fontes de frustração.
Quando a realidade não corresponde às nossas expectativas, podemos começar a pensar se foi uma boa ideia ter mudado de país, ou se seria melhor voltar ao Brasil. Acho perigoso cair nessa armadilha. Não podemos voltar ao passado. E o “se” não é uma opção. Se a sua expectativa foi muito diferente da realidade, talvez seja hora de olhar para o que você realmente tem e pensar em como poderia mudar sua realidade e melhorar sua experiência como expatriada
Em contrapartida, existem experiências ruins, situações que precisam ser mudadas e momentos em que voltar para o país de origem pode sim, ser a melhor decisão. Mas é importante diferenciar uma fase difícil de adaptação de uma situação que realmente não faz bem para você. O mais importante é não tomar decisões apenas a partir da frustração de descobrir que a realidade não era exatamente como você imaginava.

Uma mudança internacional nunca é totalmente fácil
Mudar de país pode ser uma experiência maravilhosa, mas também pode trazer solidão, insegurança, saudade, frustrações e muitos desafios que não estavam nos planos. Por isso, acredito que não exista uma fórmula para tornar uma mudança internacional fácil.
Mas podemos torná-la mais leve quando estamos preparadas para os desafios, abertas para aprender e dispostas a construir uma nova vida sem precisar apagar aquela que deixamos para trás.
About The Author
Alessandra Oliveira Ferrari
Casada e mãe de 2 filhos. Atualmente morando em Singapura. Já dei aulas de inglês por mais de 10 anos, o que me ajudou na adaptação no país. Formada em Odontologia, atuava na profissão antes de me mudar para Singapura.