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A evolução da comunicação à distância

Última atualização do post:

Os avos podem comemorar, de longe, o aniversario de 4 anos da netinha
A internet encurta distancias - Imagem: Canva

No dia 17 de maio comemorou-se o Dia Internacional das Telecomunicações e da Sociedade da Informação e eu quero falar sobre como a tecnologia transformou a vida das famílias que vivem longe.

A princípio, para quem mora fora do Brasil, especialmente famílias expatriadas e brasileiros vivendo no exterior, a forma de se comunicar mudou radicalmente ao longo das últimas décadas.

Hoje, mandamos uma mensagem em segundos, fazemos chamadas de vídeo enquanto cozinhamos e acompanhamos aniversários em tempo real. Mas nem sempre foi assim.

Na década de 1990 a comunicação era feita por cartas – Imagem: Canva

O lado romântico das cartas

Quando me mudei para a Itália, nos anos 90, a comunicação com o Brasil acontecia principalmente por cartas, que eram escritas ao longo de vários dias, com palavras cuidadosamente escolhidas. Muitas vezes eu incluía fotos reveladas, recortes, pequenas lembranças.

Depois, começava o longo processo: dias para chegar ao destinatário, e outros tantos para receber a resposta. Havia saudade, silêncio e expectativa dentro de cada envelope.

As chamadas internacionais

Com o avanço das telecomunicações, vieram as chamadas internacionais. Curtas, planejadas, geralmente uma vez por semana — quando dava. E caras. Muito caras. Quem aqui é da época dos telefonemas após as 21hs, que custavam menos?

Por vezes, a gente ensaiava antes de ligar para não esquecer o que precisava contar. Existia um tempo limitado para matar a saudade. E hoje parece até difícil imaginar isso.

Atualmente, com a popularização da internet e dos smartphones, carregamos o mundo na palma das mãos.

Frequentemente, falamos com pessoas do outro lado do planeta num instante. Compartilhamos fotos, vídeos, áudios, memes, receitas, notícias e até realizamos consultas médicas sem sair de casa.

Quando as telas viram pontes de afeto

Para muitas famílias expatriadas, as telas são pontes emocionais e as telecomunicações mudaram completamente a experiência de viver longe.

Sobretudo, as videochamadas permitem que avós acompanhem o crescimento dos netos quase em tempo real. Crianças conseguem manter contato com primos que vivem em outros países. Famílias celebram aniversários, Natais e datas importantes mesmo separadas por oceanos.

Quem vive fora sabe o valor emocional de ouvir: “Vira a câmera para eu ver melhor!” ou “Mostra o bolo antes de cortar!”

Família em videochamada – Imagem: Canva

A era digital

Primordialmente, graças aos avanços da comunicação digital, hoje é possível: cantar parabéns juntos por vídeo; acompanhar o primeiro dia de aula das crianças; ensinar receitas de família pela câmera do celular; rezar juntos mesmo em países diferentes; dar boa noite aos filhos durante viagens de trabalho; compartilhar decisões importantes em grupo; aliviar a saudade com um simples áudio de dois minutos.

Do mesmo modo, tenho visto crianças que mantêm amizade com primos de outros países, jogando online juntas e depois abrindo chamadas de vídeo para conversar. É uma forma moderna — e muito bonita — de preservar vínculos familiares que talvez se perdessem no tempo das cartas.

Neste texto eu escrevi sobre os impactos da imigração no ciclo de vida das famílias – tanto na vida de quem parte, quanto na de quem fica.

Hoje, as telecomunicações também nos permite estar presente nos momentos difíceis. Muitas pessoas puderam acompanhar internações, despedidas, tratamentos médicos ou simplesmente oferecer apoio emocional imediato através de uma chamada de vídeo.

Enquanto, nas situações em que a distância física não pode ser reduzida, a tecnologia ajuda a diminuir a distância emocional.

Muito além da saudade: os benefícios das telecomunicações no cotidiano

Além da saudade e dos vínculos afetivos, o impacto das telecomunicações vai muito além do contato familiar. Conseguimos resolver burocracias, acessar serviços de saúde, estudar, trabalhar e participar da vida social, sem precisar estar fisicamente presentes.

Por exemplo, alguns dos benefícios mais importantes que usufruimos:

Medicina Telemática – Imagem: Canva

Telemedicina e cuidado com a saúde

As consultas online facilitaram muito a vida de idosos, famílias em áreas rurais e pessoas que vivem longe dos grandes centros. Durante a pandemia, a telemedicina foi essencial para manter atendimentos sem risco de contágio. E mesmo hoje, continua sendo uma solução prática para acompanhamento psicológico, doenças crônicas e orientações médicas.

Nesse sentido, estudos mostram que videochamadas também ajudam a reduzir a solidão em idosos e podem melhorar o bem-estar emocional. Aqui tem um artigo em inglês que fala sobre isso.

Serviços públicos e burocracias online

Quem mora fora sabe o quanto os aplicativos e plataformas digitais facilitaram a vida.

Serviços que estão disponíveis online em muitos lugares:

  • autenticar documentos;
  • acessar bancos;
  • renovar documentos;
  • solicitar certidões;
  • resolver pendências consulares;
  • assinar contratos digitalmente.

E tudo isso, sem precisar enfrentar filas ou deslocamentos intermináveis.

Educação e trabalho remoto

A educação e o trabalho também foram transformadas graças a evolução das telecomunicações. Inúmeros cursos online permitem que adultos e crianças estudem à distância, aprendam idiomas e mantenham conexões culturais importantes.

Com isso, o trabalho remoto possibilitou que muitas famílias reorganizassem suas rotinas e até escolhessem viver em outros países mantendo vínculos profissionais globais.

Os prós e contras da tecnologia

É fato que estamos acessíveis o tempo todo. Mas disponibilidade não significa necessariamente presença.

Muitas vezes nos comunicamos mais e nos conectamos menos. As telas podem criar relações fragmentadas, superficiais e distraídas. Quantas vezes estamos conversando com alguém enquanto respondemos mensagens, olhamos notificações ou pensamos na próxima tarefa?

Ao mesmo tempo, as chamadas de voz espontâneas, são muito raras em nossa rotina. Mandamos áudios acelerados. Respondemos com emojis. Vemos pedaços da vida uns dos outros pelas redes sociais — mas nem sempre com profundidade.

Além disso, dentro das próprias casas, as telas também podem gerar isolamento silencioso: cada um no seu quarto, no seu celular, no seu mundo. Muitas famílias vivem o desafio de equilibrar o uso das telas pelas crianças, pois elas acabam virando uma solução rápida para entreter, acalmar ou ocupar o tempo, sem mediação suficiente.

Ocorre que, tem se falado muito sobre o período das telas para as crianças e adolescentes e neste link você encontra uma excelente entrevista do Dr. Drauzio Varela com o psiquiatra Daniel Becker.

Adicionalmente, a tecnologia ajuda muito. Mas ela não substitui abraço, presença, toque, cheiro de comida compartilhada ou conversa olhando nos olhos. E talvez esse seja o grande desafio do nosso tempo.

O verdadeiro desafio não é se comunicar, é estar presente

Como resultado, a forma como existimos no mundo foi drasticamente mudada pelas telecomunicações . Elas encurtaram distâncias, democratizaram o acesso à informação e permitiram que famílias espalhadas pelo planeta permanecessem emocionalmente conectadas.

Mas, também nos convidam a refletir: como usar toda essa tecnologia sem perder profundidade nas relações?

Portanto, talvez o desafio hoje não seja apenas conseguir falar com alguém distante, mas conseguir estar verdadeiramente presente — mesmo quando a tecnologia já fez o resto.

Enfim, que as telas sejam pontes, e não barreiras. Que aproximem sem substituir. Que ajudem a preservar histórias, tradições, afetos e vínculos familiares, mesmo quando os quilômetros insistem em existir.

Porque no fim das contas, tecnologia boa é aquela que continua colocando as pessoas no centro de tudo.

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Carla Bottino

Olá! Sou Carla Bottino, psicóloga, terapeuta de família e muito curiosa. Sempre gostei de ler sobre a cultura e em especial, sobre os hábitos, costumes e desafios de quem vive em outros países. Sou carioca, de descendência italiana e em 2017 embarquei para uma aventura ( que deveria ser de 8 meses) do outro lado do Oceano Atlântico, em Pádua na Italia. Sou mãe de filhos grandes – Mariana de 21 e Joao de 17 anos e nas minhas redes sociais conto sobre a vida nova no velho continente e trago algumas das minhas reflexões sobre os processos de mudança e adaptação, pertencimento e empreendedorismo mundo afora.

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