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Prevenção do câncer de mama no sistema de saúde italiano

Última atualização do post:

mulheres vestidas de rosa
Campanha de Prevenção do Cancer de Mama.- Imagem: Canva

Outubro é o mês da prevenção do câncer de mama, e, por isso, achei importante aproveitar a data para contar como funciona o sistema de saúde aqui na Itália e como o governo organiza as campanhas de prevenção.

E você? É do time que, quando vai ao Brasil, aproveita para fazer o check-up completo, ou prefere usar o sistema de saúde do país onde mora? Eu confesso que fico no meio do caminho! E já que estamos em plena campanha do Outubro Rosa, vou compartilhar um pouco da minha experiência com o Servizio Sanitario Nazionale (SSN), o sistema de saúde italiano.

Neste texto você encontra informações sobre o sistema de saúde em outros países – Dubai e Inglaterra e, neste outro ,como é ficar doente em outro país.

O sistema de saúde italiano: universal, mas não é gratuito

O SSN não é totalmente gratuito, mas é universal – todos têm acesso. A lógica é de coparticipação: parte dos custos o Estado paga e a outra parte o cidadão paga de acordo com a renda.

Cada pessoa tem um médico de família responsável por acompanhar, prescrever exames e encaminhar a especialistas quando necessário. Se o caso é urgente, o atendimento costuma sair em poucos dias; se não, pode demorar meses.

Vejo duas importantes vantagens nesse sistema:

1 – as as campanhas de vacinação e de prevenção chegam a todos, independentemente da classe social ou da região do país – ainda que existam desigualdades entre norte e sul, o governo padroniza os protocolos de prevenção e oferece os exames igualmente.

2 – Para os atendimentos que as pessoas pagam, a renda da familia é critério para definir o valor, ou seja, as famílias que ganham menos, são isentas.

Os protocolos de prevenção do câncer na Itália

Os protocolos de prevenção do câncer do sistema de saúde italiano incluem:

  • Câncer de mama: mamografia gratuita a cada 2 anos para mulheres de 50 a 74 anos. Em casos de histórico familiar ou suspeita clínica, o profissional de saúde pode solicitar exames complementares, como ecografia ou biópsia.
  • Câncer de cólon e reto: teste de sangue oculto nas fezes a cada 2 anos (50 a 74 anos). Se o resultado for positivo, o paciente deve realizar uma colonoscopia.
  • Câncer de colo de útero: Pap Test a cada 3 anos (25–30 anos) e Teste HPV a cada 5 anos (30–64 anos). Em caso de alterações, o paciente pode fazer exames adicionais.
  • Vacina HPV: gratuita em duas doses a partir dos 11 anos, com esquemas especiais para adolescentes e jovens não vacinados.

É importante lembrar que esses protocolos  são gratuitos para a toda a população (da faixa etária identificada) , independente da renda da família. Além disso, os protocolos também valem para pacientes sem sintomas e sem histórico familiar. Em situações específicas, os médicos definem um acompanhamento diferenciado.

Outubro é o mês de prevenção do câncer de mama.
Outubro Rosa- não deixe de se cuidar – Imagem: Canva

O olhar de estranhamento da imigrante

Muitas mulheres brasileiras na Itália estranham esses protocolos. Afinal, não é raro ouvir histórias de diagnósticos de câncer em mulheres mais jovens, e, no Brasil, o protocolo começa mais cedo. Será que essa política de saúde não seria inadequada?

A resposta é que não: trata-se de uma escolha baseada em recursos e evidências científicas, buscando equilibrar custo e benefício para toda a população. O objetivo é oferecer o exame para todas as mulheres da faixa etária considerada de maior risco.

Como imigrante brasileira que tinha plano de saúde privado no Brasil , acesso a bons médicos e realizava os exames de forma regular desde os 40 anos, estranhei bastante essa política, recorri aos médicos particulares e paguei pela realização dos meus exames.

Até que em dezembro de 2023 completei 50 anos, entrei para a faixa etária público-alvo dos exames de prevenção e, em poucas semanas recebi na minha casa uma cartinha explicando os diversos protocolos (para os vários tipos de câncer) com o agendamento para a realização dos exames. Achei isso sensacional – fui convidada a cuidar da minha saúde!

Não precisei ligar! O Sistema Nacional de Saúde fez todo o trabalho por mim e eu só precisei comparecer no dia.

A realização dos exames não é obrigatória, mas dados dos biênios 2023-2024 demonstram que 75% da população realizou a mamografia.

Mamografia é o exame utilizado para rastrear o câncer de mama.
Mamografia de rastreamento do câncer de mama – Imagem: Canva

Protocolos de prevenção do câncer de mama no Brasil

Curiosamente, o protocolo italiano para câncer de mama é muito parecido com o do SUS: mamografia a cada 2 anos para mulheres entre 50 e 69 anos.

Mas, na prática, a experiência de quem tem plano de saúde privado no Brasil é bem diferente. É comum conseguir realizar exames antes dos 50 anos (quando o médico indica), ter acesso rápido a especialistas e até marcar consultas “sob demanda”. Contudo é um privilegio de poucas pessoas.

Neste link você encontra uma série de dados sobre a prevenção do câncer de mama no Brasil e dois deles me chamaram a atenção, a saber:

– A cobertura do rastreamento do câncer de mama pelo SUS só cobre 35% das regiões – nas capitais os números podem ser comparados aos europeus , mas algumas áreas ainda são muito pobres,

– Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, entre as mulheres que estavam na faixa etária recomendada, 42% no Norte e 33% no Nordeste nunca tinham feito o exame – seja por falta de informação, medo / preconceito com a doença ou ausência de equipamentos próximos.

Outubro rosa é um lembrete para todas nos

Dessa forma, independente da forma de acesso – se através do serviço público de saúde ou pela rede privada (para quem tem essa possibilidade) o importante é se cuidar. Nunca é demais falar sobre a prevenção.

Neste link você encontra outros dicas de prevenção.

Outubro Rosa é um lembrete para todas nós – não importa se você está no Brasil, na Itália ou em qualquer outro lugar do mundo. Portanto, cuidar da saúde é um direito, mas também é uma responsabilidade.

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Carla Bottino

Olá! Sou Carla Bottino, psicóloga, terapeuta de família e muito curiosa. Sempre gostei de ler sobre a cultura e em especial, sobre os hábitos, costumes e desafios de quem vive em outros países. Sou carioca, de descendência italiana e em 2017 embarquei para uma aventura ( que deveria ser de 8 meses) do outro lado do Oceano Atlântico, em Pádua na Italia. Sou mãe de filhos grandes – Mariana de 21 e Joao de 17 anos e nas minhas redes sociais conto sobre a vida nova no velho continente e trago algumas das minhas reflexões sobre os processos de mudança e adaptação, pertencimento e empreendedorismo mundo afora.

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